- Tradener, considerada a primeira comercializadora de energia elétrica do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial na 2.ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, com valor da causa de R$ 1,69 bilhão.
- A empresa afirma enfrentar severa crise econômico-financeira no mercado livre de energia e diz que a recuperação judicial é a única medida capaz de resguardar a continuidade das atividades e estabilizar as operações.
- A iniciativa ocorre pouco mais de um mês após a empresa obter proteção judicial de 60 dias contra execuções e ações, além de autorização para que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mantenha a continuidade das negociações.
- Segundo a petição, medidas de contrapartes e instituições financeiras provocaram desinvestimentos e rescisões contratuais, agravando o passivo e a situação econômico-financeira da Tradener.
- A empresa atribui a crise a mudanças regulatórias e operacionais no preço de liquidação das diferenças (PLD) horário, descolamento entre submercados e aumento da volatilidade, com perdas estimadas de aproximadamente R$ 47 milhões para março de 2026; já houve desembolsos de R$ 180 milhões desde 2024.
A Tradener, apontada como a maior comercializadora de energia elétrica do Brasil, protocolou pedido de recuperação judicial. A ação foi apresentada na 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, com valor da causa estimado em R$ 1,69 bilhão.
A empresa afirma enfrentar uma “severa crise econômico-financeira” no mercado livre de energia. A recuperação judicial, argumenta, é a única medida capaz de resguardar a continuidade das atividades e estabilizar as operações, após falhas em soluções fora do Judiciário.
Antes de recorrer à Justiça, a Tradener já havia conseguido proteção judicial temporária, por 60 dias, para negociações com credores. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica recebeu proteção para não desativar a empresa ou impedir sua comercialização.
A companhia informou que, apesar de avanços na adesão ao Plano de Recuperação Extrajudicial, com participação de mais de 20% dos credores, algumas contrapartes adotaram medidas restritivas. Foram notificações de rescisão, vencimentos antecipados e exigências de garantias adicionais.
Tais medidas, associadas a outras restrições, teriam aumentado o passivo e agravado a situação econômico-financeira. A Tradener cita ainda desvios regulatórios e operacionais na formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) horário, além do descolamento entre submercados.
Segundo a empresa, o problema não seria a capacidade de cumprir contratos, mas o desequilíbrio econômico-financeiro decorrente das curvas horárias mais voláteis e caras a partir de 2025. Estima-se que, desde 2024, já houve desembolsos superiores a R$ 180 milhões por distorções.
Para 2026, a Tradener prevê perdas adicionais, de cerca de R$ 47 milhões, em função do quadro regulatório e das variações de preço. O pedido pede consolidação processual em Curitiba, onde está o principal estabelecimento do grupo.
A empresa solicita tutela de urgência para evitar rescisões e vencimentos decorrentes de ações de mediação, cautelar ou recuperação. Também requer restabelecimento de contratos e manutenção de registros na CCEE, para evitar interrupções operacionais.
Fundada em 1998, a Tradener afirma atuação em 23 estados, com aproximadamente 1.200 consumidores e rede superior a 1.000 MW médios. A companhia foi pioneira no mercado livre, com o primeiro contrato entre Copel e Carbocloro em 1999.
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