- Daniel Vorcaro teria comprado o controle do Banco Master com recursos ligados a movimentações investigadas por suspeita de fraude, com R$ 111 milhões desviados de fundos de aposentadoria de servidores públicos abastecendo empresas da família antes da aquisição.
- Em fevereiro de 2019, o Banco Central negou inicialmente a transferência de controle do então Banco Máxima para Vorcaro, alegando falta de capacidade econômico-financeira e origem duvidosa dos recursos; em outubro daquele ano, a decisão foi revista e a compra autorizada.
- Documentos da investigação indicam que empresas do grupo Vorcaro receberam os R$ 111 milhões entre a negativa inicial e a aprovação, usados como comprovação financeira da operação; a avaliação do BC não identificou as movimentações e descartou triangulação financeira.
- As investigações apontam duas estratégias para viabilizar a operação: emissão de debêntures para empresas fantasmas e desvios do fundo Brazil Realty, abastecido com recursos de regimes próprios de aposentadoria.
- O Banco Central afirmou ter consultado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de aprovar a transferência de controle e que não houve objeções; não houve conhecimento sobre operações envolvendo cotas do Brazil Realty nem captação em fundos administrados por Benjamim Botelho.
O empresário Daniel Vorcaro teria comprado o controle do Banco Master com recursos ligados a operações sob investigação por suspeita de fraude. A aquisição envolve valores próximos a 111 milhões de reais desviados de fundos de aposentadoria de servidores públicos e do então Banco Máxima.
Segundo a apuração, empresas ligadas à família de Vorcaro teriam recebido esse montante entre a negativa inicial do BC e a autorização final da aquisição. Os recursos teriam sido usados como comprovação financeira para viabilizar a transação.
A operação é acompanhada pela Polícia Federal, com base em documentos da CVM analisados pela reportagem. Debêntures emitidas para empresas fantasmas e desvios do fundo Brazil Realty aparecem entre as hipóteses investigadas.
Movimentações financeiras e aprovação no BC
O Banco Central negou, em fevereiro de 2019, a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro, citando insuficiência econômica-financeira e dúvida sobre a origem dos recursos. Em outubro daquele ano, o BC reverteu a decisão e autorizou a compra.
Relatórios da CVM, consultados pelo BC, apontam que as negociações envolveram fluxos entre empresas do grupo Vorcaro. A autarquia afirmou ter consultado a CVM antes de aprovar a transferência, sem objeções formais à operação.
O BC também afirmou não ter conhecimento sobre operações envolvendo o fundo Brazil Realty nem captação de recursos junto a fundos administrados por Benjamim Botelho, controlador da Foco DTVM. As investigações seguem sob responsabilidade da PF. Fonte: apuração baseada em documentos públicos e dados de veículos de imprensa.
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