- Fabiana Goulart afirma que o principal desafio da sustentabilidade é ampliar a participação do setor privado no financiamento da adaptação e mitigação às mudanças climáticas.
- A GEF Capital Partners é uma gestora de private equity com foco climático, investindo em empresas de médio porte e atuando na gestão, governança e expansão; hoje administra cerca de dois bilhões de reais no Brasil e aproximadamente dois bilhões de dólares no exterior.
- Os investimentos combinam desempenho financeiro e impacto climático, priorizando receitas recorrentes, margens positivas e atividades que contribuam diretamente para mitigação ou adaptação climática.
- Setores prioritários são energia limpa, soluções urbanas (saneamento e resíduos) e agricultura sustentável; como exemplo, a Automa desenvolve soluções digitais para plantas renováveis e teve investimento em dois mil e vinte e dois, com venda subsequente a um grupo norueguês após nearly triplicar a receita.
- O processo de avaliação segue o princípio de “do no harm” para evitar greenwashing, usando taxonomias climáticas e métricas de emissões evitadas; o Green Climate Fund participa de um programa estruturado pela GEF Capital Partners, a primeira vez de um private equity brasileiro com apoio do Fundo Verde do Clima.
A sustentabilidade enfrenta o desafio de ampliar a participação do setor privado no financiamento de iniciativas climáticas. Em entrevista ao VEJA+Verde, Fabiana Goulart, vice-presidente de sustentabilidade da GEF Capital Partners, aponta isso como o principal obstáculo para a transição a uma economia de baixo carbono.
A gestora brasileira atua em private equity com foco climático, investindo em empresas de médio porte com operação já consolidada e potencial de crescimento. O modelo envolve aporte financeiro, melhoria de governança e expansão comercial, com atuação próxima da gestão.
A FGV Capital administra cerca de 2 bilhões de reais no Brasil e aproximadamente 2 bilhões de dólares globalmente. Os critérios de investimento equilibram desempenho financeiro e impacto climático, priorizando negócios com receitas recorrentes, margens positivas e possibilidade de escala.
Para evitar greenwashing, a análise parte do princípio do no harm, avaliando impactos trabalhistas, biodiversidade e relação com comunidades. A avaliação utiliza taxonomias climáticas internacionais e metodologias de emissões evitadas e adaptação climática.
Entre os setores prioritários estão energia limpa, soluções urbanas e agricultura sustentável. Em energia, envolvem renováveis, baterias, eficiência energética e mobilidade de baixo carbono; em urbanismo, saneamento e resíduos sólidos; na agricultura, biofertilizantes, agricultura de precisão e manejo da água.
Um exemplo citado é a Automa, empresa de soluções digitais para plantas renováveis. A tecnologia aumenta a eficiência de usinas ao otimizar envio de energia, reduzindo desperdícios. A GEF investiu em 2022, estruturou governança e estratégia, e a operação foi vendida a um grupo norueguês após quase triplicar a receita.
A executiva destacou que a adaptação climática ganhou relevância internacional após as últimas conferências do clima. O tema envolve preparar cidades, empresas e infraestrutura para enfrentar efeitos do aquecimento global, como estresse hídrico e maior temperatura. Saneamento aparece como área promissora no Brasil.
Outra pauta da entrevista foi a participação do Green Climate Fund, fundo verde da ONU, em programa estruturado pela GEF Capital Partners. Pela primeira vez, um private equity brasileiro recebe apoio dessa iniciativa ligada ao Acordo de Paris, segundo Goulart. O movimento indica reconhecimento internacional à capacidade de atrair investimentos sustentáveis com retorno de mercado.
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