- Dois anos após o fim do último programa, o Brasil registrou um aumento de 10,3 milhões de inadimplentes, chegando a 82,8 milhões.
- O Novo Desenrola Brasil (Desenrola 2.0) foi relançado no início de maio, com foco em famílias de menor renda — até cinco salários mínimos — e com a possibilidade de desnegativar dívidas de até R$ 100.
- O ministro da Fazenda atribui a alta da inadimplência ao efeito sanfona causado pela Selic e pelos impactos da pandemia, que elevou desemprego e compressão de renda.
- No primeiro balanço da nova edição, foram quitadas à vista 449 mil dívidas com desconto médio de 85%, totalizando 154 milhões de reais pagos.
- Também houve refinanciamento de 685,5 mil dívidas, com desconto de 85%; de um conjunto de 9 bilhões, foram refinanciados 1,3 bilhão.
O Novo Desenrola Brasil 2.0 foi relançado no início de maio para enfrentar o aumento da inadimplência, que soma 10,3 milhões de inadimplentes desde o fim da edição anterior. O total de devedores atingiu 82,8 milhões, segundo dados recentes.
O governo federal afirma que o país viveu um período de endividamento elevado em função de fatores como juros altos e impactos da pandemia de Covid-19. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribui a alta da inadimplência a um efeito sanfona causado pela Selic e pela recuperação desigual da renda após a crise sanitária.
Especialistas divergem sobre a efetividade do Desenrola 1. O programa, que beneficiou cerca de 14,8 milhões de pessoas, teve acordos que somaram 53,2 bilhões de reais, com descontos significativos para dívidas de bancos e cartão de crédito. Mesmo assim, a inadimplência geral manteve trajetória estável ou em leve queda apenas em parte dos indicadores.
Desenrola 2.0: o que mudou
Durigan disse que a nova edição prioriza famílias de menor renda, com teto de até cinco salários mínimos, e autoriza a desnegativação de dívidas de até 100 reais. Em balanço inicial, afirmou ter sido possível quitar 449 mil dívidas à vista com desconto médio de 85%, totalizando 154 milhões pagos de um bloco de 1 bilhão de dívidas. Também houve o refinanciamento de 685,5 mil dívidas, com recuo de 85% no valor devido.
Analistas lembram que o efeito do programa depende de mudanças estruturais. O economista Tiago Velloso destaca a necessidade de educação financeira e de aumento do rendimento, além de reduzir a informalidade. Sem alterações sistêmicas, o impacto pode ser temporário e não evitar novos ciclos de endividamento.
O cenário atual continua desafiador: inflação elevada, custo de vida pressionado e crédito ainda relativamente caro, o que alimenta a inadimplência mesmo com renegociações. O governo espera que a nova fase do Desenrola amplie os efeitos positivos até formar um novo ciclo de contenção da dívida.
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