- Moody’s manteve a nota do Brasil em Ba1 com perspectiva estável, próximo do grau de investimento.
- O relatório ressalta que a polarização política atrapalha a formulação de políticas e a consolidação fiscal.
- A projeção para 2026 indica déficit público em torno de 8,5% do PIB, com déficit primário inferior a 1% do PIB.
- A dívida bruta deve chegar a cerca de 83% do PIB em 2026, caso não haja reformas fiscais relevantes.
- A agência aponta saída para a subida de nota: reformas profundas nos gastos, redução de destinação específica de verbas, e reformas como a da Previdência ou a adaptação da indexação de benefícios para criar espaço fiscal.
A Moody’s manteve a nota de crédito do Brasil em Ba1, com perspectiva estável, nesta semana. A avaliação aponta que o país cresce, mas carrega juros altos e rigidez orçamentária que dificultam o ajuste fiscal. O relatório destaca riscos associados ao cenário fiscal e à política pública.
O diagnóstico aponta que a maior barreira não está nos números, e sim na condução política. A polarização entre governos e Congresso é citada como obstáculo à reforma fiscal e à consolidação das contas. Disputas eleitorais são associadas a gastos públicos acima do equilíbrio.
Além disso, a agência indica que as ações de curto prazo e o ciclo político influenciam negativamente o espaço fiscal, com possível impacto na credibilidade internacional. A Moody’s aponta a necessidade de consenso entre formuladores de políticas para avançar reformas estruturais.
Panorama fiscal e juros
Para 2026, a Moody’s projeta déficit fiscal próximo a 8,5% do PIB, com leve melhoria no ano seguinte. O déficit primário deve ficar abaixo de 1% do PIB, indicando que os juros comanda grande parte do endividamento.
A dívida bruta poderia chegar a cerca de 83% do PIB em 2026, subindo caso reformas não ocorram. O custo da dívida permanece elevado, pressionado pela Selic alta para conter a inflação de choques energéticos.
Melhores caminhos para o crédito
A Moody’s afirma que o Brasil tem instrumentos para recuperar o selo de bom pagador se houver reformas profundas nos gastos públicos. Reduções de destinação específica de verbas, ajuste de benefícios sociais e reforma da Previdência são citadas como medidas-chave.
Essas reformas criariam espaço fiscal e protegeriam as contas públicas de ciclos de aperto monetário, segundo a agência. O Banco Central pode manter juros elevados apenas para controlar a inflação, sem que a dívida comprometa a solvência do Estado.
A análise ressalta que o Brasil possui recursos e tamanho para retomar posição entre os países de maior credibilidade no mercado financeiro global. A mudança depende da adoção de políticas estáveis e consistentes.
Entre na conversa da comunidade