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Tratar crédito como renda extra eleva risco de inadimplência, diz economista

Dois anos após o fim do programa de renegociação, Brasil registra 10,3 milhões de inadimplentes; educar sobre juros é visto como principal remédio

Pilha de documentos e envelopes com códigos de barras sobre a mesa, sendo organizada por uma mão
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  • Brasil registrou 10,3 milhões de pessoas inadimplentes a mais em dois anos, após o fim do último programa de renegociação de dívidas.

  • O governo retomou o programa para tentar conter o endividamento, que está em níveis recordes.

  • O ministro da Fazenda, Dário Durigan, atribui o quadro a oscilações da taxa básica de juros e aos efeitos da Covid-19, como desemprego elevado e renda estagnada.

  • O economista Ricardo Buso destaca a educação financeira como solução e critica o tratamento do crédito como renda adicional.

  • Buso reforça que o crédito não pode financiar despesas correntes ou bens de consumo e que é preciso entender o motivo da compra.

Brasília – Dois anos após o término do último programa de renegociação de dívidas, o Brasil registrou um aumento de 10,3 milhões de inadimplentes, segundo dados divulgados nesta semana. O quadro eleva o endividamento das famílias a patamares históricos e reacende debates sobre políticas públicas de crédito.

O governo federal volta a apostar em novas ações para conter o problema, diante da persistência de grandes parcelas da população com responsabilidades financeiras não honradas. A importância de medidas de renegociação é ressaltada pelo governo como instrumento de contenção de riscos macroeconômicos.

Para o economista consultado, a educação financeira aparece como principal ferramenta para enfrentar a inadimplência. A leitura dele é que o crédito vem sendo tratado, no Brasil, como renda adicional, o que alimenta a bola de neve de dívidas.

Ele explica que o uso do crédito não deve se destinar a despesas correntes ou a consumo desordenado. Ao defender uma mudança de visão, o economista afirma que o objetivo das operações de crédito precisa estar alinhado a necessidades produtivas ou de investimento.

Segundo a leitura apresentada, o problema atual resulta de oscilações da taxa básica de juros associadas aos impactos da pandemia de Covid-19, que elevaram o desemprego e frearam a renda das famílias. Esses fatores contribuíram para o endividamento elevado.

A pasta da Fazenda ainda não informou novas medidas específicas, mas sinaliza a retomada de programas de renegociação com o objetivo de reduzir inadimplência e estimular a recuperação do crédito ao consumo, com foco em famílias de menor renda.

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