- Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve, mandato de quatro anos até 2030, substituindo Jerome Powell, em cerimônia na Casa Branca, sob pressão da administração para reduzir os juros.
- Ele foi indicado por Donald Trump em 30 de janeiro; já integrou o Fed entre 2006 e 2011, tornando-se o mais jovem diretor da história da instituição aos 35 anos.
- A nomeação foi aprovada pelo Senado em 13 de maio, para o mandato de quatro anos.
- Em sabatina, Warsh defendeu autonomia do banco central, pediu mudanças na governança da política monetária e disse que inflação é uma escolha; criticou decisões pós-pandemia.
- Contexto econômico: o Fed não atinge a meta de inflação de dois por cento há mais de cinco anos; Trump acena com cortes de juros; Powell permanece no cargo até 2028; Warsh afirmou que venderia ativos superiores a US$ 100 milhões para evitar conflito de interesses.
Kevin Warsh assumiu hoje a presidência do Fed, Banco Central dos EUA, indicado por Donald Trump. O ato ocorreu em evento na Casa Branca, com o objetivo de conduzir o órgão por um mandato de quatro anos, até 2030, em meio a pressões pela queda de juros.
A nomeação foi anunciada pelo presidente em 30 de janeiro. Trump descreveu Warsh como “alguém muito bom” para presidir o Fed e declarou, novamente, que as taxas de juros estão “muito altas”.
Warsh foi o mais jovem diretor do Fed, aos 35 anos, entre 2006 e 2011. Nessa época, atuou como membro do Conselho de Governadores e representou o Fed junto ao G-20, além de participar de fóruns com economias avançadas e emergentes na Ásia.
Entre 2006 e 2011, Warsh integrou o Conselho de Governadores, período marcado pela crise financeira global causada pela quebra de instituições ligadas ao crédito subprime, que afetou balanços de bancos ao redor do mundo.
Warsh renunciou ao Fed em 2011, sob a presidência de Ben Bernanke. Na época, defendeu cortes mais amplos de juros por meio da redução do tamanho do portfólio do banco central, com venda de títulos para contrair dinheiro na economia.
Antes de chegar a este momento, atuava como pesquisador e professor na Universidade de Stanford. Formações em Direito pela Harvard, políticas públicas pela Stanford (1992), e estudos em economia de mercados pela MIT Sloan e Harvard Business School.
Seu nome recebeu aprovação do Senado em 13 de maio. Apesar de já ter sido membro do Fed, foi necessário o aval parlamentar para a cadeira de chairman, com mandato de quatro anos.
Durante a sabatina no Senado, Warsh criticou erros da autoridade monetária após a pandemia e defendeu uma nova estrutura para a política monetária. Sugeriu mudanças no uso de projeções de juros e reforçou a responsabilidade sobre os preços, afirmando que a inflação é uma escolha.
A sabatina também abordou a relação com Trump, que pressionou por cortes rápidos. Warsh não respondeu sobre a eleição de 2020 e minimizou a pressão presidencial, afirmando que os presidentes costumam apoiar reduções de taxas.
O candidato defendeu a independência operacional do Fed, argumentando que opiniões políticas não comprometem a autonomia da política monetária. Em documento enviado aos senadores, reiterou esse ponto.
Warsh informou que venderá ativos pessoais avaliados em mais de US$ 100 milhões. Questionado sobre conflitos de interesse, disse que os recursos serão aplicados de forma simples, sem detalhar a carteira.
Contexto econômico e impacto
O Fed não atinge a meta de inflação de 2% há mais de cinco anos, com o petróleo elevado e tarifas comerciais que influenciam o cenário. Trump tem criticado a atuação de Jerome Powell, que manteve juros entre 3,5% e 3,75%.
Powell encerrou o mandato como presidente do Fed, mantendo o cargo de diretor até 2028. A transição ocorre em meio a atritos com a Casa Branca e a espera por alinhamento entre política monetária e objetivos fiscais.
Em abril, o Departamento de Justiça encerrou investigação envolvendo o ex-presidente do Fed, que foi intimado. A promotoria também analisou reformas da sede do Fed, avaliadas em US$ 2,5 bilhões, custo que Trump diz ter sido maior que o previsto. Powell negou as acusações.
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