- A indústria alimentícia reduziu porções, aumentou adição de ingredientes e começou a usar rótulos com “sabor chocolate” devido ao aumento dos preços do cacau.
- Com a queda de quase setenta por cento nas cotações futuras do cacau, o chocolate pode voltar a ter mais cacau em suas receitas.
- Mudanças também devem reduzir parcialmente os chamados “chocolates alternativos” com baixo teor de cacau.
- A gigante Hershey anunciou que, a partir do próximo ano, suas principais linhas devem retornar às receitas originais após críticas públicas.
- No Brasil, há uma nova lei que exige no mínimo 35% de sólidos totais de cacau e 18% de manteiga de cacau em chocolates, o que pode mudar a indústria e estimular produção de cacau de maior valor.
O mercado global do cacau passa por mudanças relevantes após uma queda expressiva nas cotações futuras. O recuo próximo de 70% no preço da commodity impacta a composição de chocolates, abrindo espaço para mais cacau nas receitas e reduzindo a necessidade de itens substitutos.
A indústria, que antes reduziu porções e recorreu a misturas com frutas, castanhas e gorduras, vê sinais de recuperação. Em meio a rótulos mais chamativos como “sabor chocolate”, fabricantes enfrentam pressões de custo e de qualidade anunciadas para 2025.
Mudanças de cenário
A variação de preços ocorreu após fatores climáticos, pragas e redução de estoques globais, levando o preço da tonelada para patamares acima de US$ 12 mil em 2024 e, recentemente, abaixo de US$ 4 mil na bolsa de Nova York. O recuo tem potencial de reequilibrar margens.
No Brasil, sexto maior consumidor per capita, uma nova lei aprovada em maio exige que chocolates contenham no mínimo 35% de sólidos de cacau, com pelo menos 18% de manteiga de cacau. O leite continua permitido em fórmulas de chocolates ao leite com 25% de cacau. A norma visa elevar a qualidade e a valorização do cacau nacional.
Impactos esperados
Especialistas apontam que a mudança regulatória pode estimular a verticalização da produção e a obtenção de insumos de maior valor agregado. A cadeia produtiva brasileira pode ver maior demanda interna por cacau de qualidade superior, favorecendo cooperativas e pequenos produtores, incluindo áreas como o sistema cabruca na Bahia.
Observadores do mercado ressaltam que, mesmo com o recuo global, a recuperação da demanda pode levar até dois anos e meio. Mudanças de hábitos de consumo e a ascensão de produtos com menor teor de cacau também influenciam o cenário. A possibilidade de novas oscilações climáticas mantém a cautela dos agentes setoriais.
Panorama da indústria
A Hershey, gigante norte-americana com marcas como Hershey’s e Reese’s, anunciou que retornará às receitas originais a partir do próximo ano, após críticas públicas. A decisão pode desencadear efeitos competitivos no setor, com marcas buscando alinhar rótulos e conteúdos aos padrões de qualidade.
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