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Disputa silenciosa pelo dono do cliente no comércio de agentes

Disputa no comércio agêntico se intensifica: quem fica perto do cliente define o valor, com IA e Pix automático reconfigurando o ecossistema de pagamentos

No embate, as plataformas de IA estão em posição privilegiada
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  • A disputa pelo custo e controle no comércio agên tico envolve quatro camadas: plataformas de IA, bandeiras de pagamento, emissores/fintechs e lojistas, com a proximidade do cliente definindo quem captura mais valor.
  • Plataformas de IA ficam em posição privilegiada, pois o agente comanda a decisão de compra diretamente com a interface que o cliente usa.
  • O lojista pode virar commodity se terceiros definirem o que o agente pode comprar; há defesa no conceito de merchant-owned mandate, defendido por Adyen e Checkout.com, entre outros.
  • O Pix Automático, já em operação, aponta para um cenário A2A mais curto, com potencial de transformar mandato e leitura de dados, influenciando a escolha de meios de pagamento pelo agente.
  • No Brasil, há oportunidade de influenciar o desenho do comércio agêntico, mas decisões políticas e regulatórias — como papel das bandeiras, identidade digital e integração com agentes — serão determinantes nos próximos dois a três anos.

Edson Santos analisa, no último texto de uma série, a disputa pelo controle do cliente no comércio agêntico no Brasil. O objetivo é entender quem captura o valor gerado pelas compras realizadas via agentes virtuais, em meio a big techs, bancos, bandeiras e varejo. A investigação foca no desequilíbrio entre camadas do ecossistema e nas apostas estratégicas de cada participante.

A discussão técnica envolve protocolos como Trusted Agent Protocol, Verifiable Intent, Agentic Commerce Protocol e Universal Commerce Protocol. A nota central é outra: quem, dentro do ecossistema, fica mais próximo do cliente sem ser desintermediado pelas demais camadas.

Quatro camadas são destacadas: plataformas de IA, as bandeiras que estruturam o trilho de pagamento, emissores e lojistas. A proximidade com o cliente e o mandato verificável ditam o poder de influência sobre decisões de compra e, por consequência, sobre quem fica com mais valor no ecossistema.

A reportagem aponta que as plataformas de IA estão em posição privilegiada para influenciar escolhas de compra, pois a interface direta com o agente determina o caminho de uma transação. Reguladores e credenciadoras podem operar como contrapesos, porém o poder de veto das bandeiras permanece relevante.

O texto também analisa o risco para lojistas, que podem virar commodities caso os agentes passem a determinar dados estruturados como catálogos legíveis por máquina. A tendência é que quem controlar o catálogo e a disponibilidade de produtos em formato API ganhe espaço competitivo.

A credenciadora, segundo a análise, enfrenta dilemas estratégicos. O autor cita caminhos como aprofundar parcerias com lojistas para prontidão agêntica, atuar como agregadora de meios de pagamento ou oferecer serviços analíticos baseados em tráfego de agentes. Empresas estrangeiras que atuam no Brasil aparecem como tradutoras entre mundo agêntico e tradicional, com vantagem competitiva.

Em relação aos emissores, o estudo destaca que o default de cartão pode desaparecer na prática, com o agente escolhendo o melhor cartão para cada transação com base em dados estruturados. Assim, atributos de programas de pontos e condições de crédito precisam ficar legíveis por máquina para manter competitividade.

O texto avança para o cenário A2A, com potencial de migração de pagamentos do cartão para o Pix Automático, já em operação como mandato programável. A ideia é que agentes possam iniciar transações Pix dentro de mandatos autorizados, aproximando o ecossistema de pagamentos entre banco a banco.

Essa migração pode redefinir o equilíbrio entre camadas. Quem controlar os trilhos A2A pode ganhar espaço frente às bandeiras, credenciadoras e emissores. Lojistas que aceitarem múltiplos trilhos tendem a manter vantagem competitiva, enquanto emissores que adotarem o Pix Automático como rail estratégico ganham tempo de adaptação.

O estudo conclui que o Brasil tem condições de influenciar o desenho do comércio agêntico devido a ativos como Pix consolidado, Open Finance e regulação ágil. No entanto, alerta para prazos: padrões internacionais, dominados por bandeiras e big techs, começam a se consolidar em 2026, sob égide de normas de organismos internacionais.

Sobre o caminho a seguir, o autor sugere decisões para bandeiras locais, fornecedores de identidade digital, lojistas e ITPs. O objetivo é evitar que o país vire coadjuvante diante de interesses externos, mantendo o papel estratégico de agentes, identidade e mandatos no ecossistema nacional.

O artigo encerra destacando que a disputa é, principalmente, política no sentido amplo: que tipo de comércio agêntico o Brasil deseja ter, com ou sem domínio de plataformas globais, e como equilibrar interesses de lojistas, emissores, credenciadoras e redes de pagamento. A série retorna aos leitores com perspectivas para os próximos meses.

Fonte: Edson Santos, especialista em meios de pagamento, em série publicada pela NeoFeed.

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