- Indústria de defensivos prevê ano difícil, com custos altos, crédito mais caro e queda nos preços das commodities, o que pode manter margens pressionadas; perspectiva é de pior em relação ao ano passado.
- Aumento de custos vem de fertilizantes, combustíveis e frete; alguns insumos registraram alta entre vinte e quarenta por cento, com destaque para o glifosato.
- Os custos ainda não foram totalmente repassados aos produtores; parte das compras aproveitou estoques antigos, estimando que cerca de quinze por cento do que foi comprado utilizou preços antigos.
- Não há falta global de defensivos, mas a cadeia apresenta margens comprimidas em todas as etapas, desde indústria até rede de distribuição.
- Crédito rural mais restrito e maior inadimplência são preocupações; compras para a safra 2026/27 já representam entre trinta e trinta e cinco por cento do volume, acima do ano anterior, mas abaixo da média histórica.
O setor de defensivos agrícolas projeta um ano mais difícil para o agronegócio brasileiro, com margens pressionadas por custos mais elevados, crédito mais restrito e queda nos preços de commodities. Executivos doSindiveg e da indústria alertam que o repasse de aumentos de insumos ainda não ocorreu de forma plena aos produtores.
Segundo o vice-presidente do Sindiveg e executivo da Ihara, o cenário atual favorece pouco a recuperação de margens. O aumento de fertilizantes, combustíveis e fretes, aliado a condições de crédito mais caras, ocorre em meio a uma desaceleração nos preços das commodities agrícolas.
O panorama não aponta falta de oferta de defensivos, mas elevações de custos deverão subir gradualmente nos preços ao produtor, sem ampliar margens para a indústria. Avaliação reúne também relatórios de que grandes reajustes são proporcionais às origens dos itens, com maior pressão sobre certos ativos, como o glifosato.
Custos, crédito e margens sob pressão
A alta de energia, petróleo e frete é apontada como principal vetor de custo, impactando defensivos importados, especialmente da China, com elevações acima de 40% no custo de origem. Produtos de outras origens registram aumentos menores, entre 3% e 5%.
Analistas afirmam que o repasse de custos não representa ganho de margem para o setor. Fabricantes, revendedores e cooperativas reportam resultados abaixo dos anos anteriores devido à combinação de preços dos produtos baixos e custos fixos mais elevados.
O ritmo de compras para a safra 2026/27 está acima do registrado no mesmo período de 2025, mas ainda abaixo da média histórica. A antecipação reflete temores de novos aumentos de preços após tensões geopolíticas, com plantio começando entre setembro e outubro, dependendo da região.
Crédito e inadimplência
Especialistas destacam maior dificuldade de acesso a crédito, com o setor buscando garantias mais robustas para financiamentos. O crédito tende a seguir pela via de indústrias e redes de distribuição, em vez de fornecer diretamente aos produtores.
A inadimplência acompanha o cenário de custos elevados. O índice dobrou entre 2024 e 2025, e, no primeiro trimestre de 2026, manteve a tendência de alta, segundo dados coletados pelo setor. A rentabilidade de grãos, que já caiu nos últimos anos, dificulta o pagamento de arrendamentos.
O presidente do Sindiveg afirma que o momento afeta o ânimo do produtor, especialmente pela diferença entre o recuo das commodities e o aumento dos insumos. A soja e o milho mostraram quedas expressivas de preço em anos recentes, ampliando o desafio de manter lucratividade.
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