- O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que estavam “juntando” suas vidas após negociarem imóveis em troca de aportes bilionários ao BRB.
- As conversas, apreendidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao STF, mostram Costa questionando Vorcaro sobre “a sua necessidade de caixa” para viabilizar os repasses ao Master.
- A PF afirma que Costa aceitou propina por meio de seis imóveis de luxo, totalizando R$ 146 milhões, dos quais R$ 74 milhões já teriam sido pagos, em contrapartida aos aportes de R$ 12 bilhões do BRB em carteiras fraudulentas do Master.
- Em novembro de 2024, Vorcaro orientou uma corretora a localizar imóveis; entre eles, um decorado no Heritage, no Itaim Bibi, foi alvo de visita.
- Os diálogos indicam que Costa buscava viabilizar a venda de carteiras do Master ao BRB, com irregularidades graves identificadas pela investigação, para cobrir o rombo do banco privado.
O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi alvo de diálogos obtidos pela Polícia Federal que revelam negociações envolvendo imóveis e aportes bilionários do BRB ao Banco Master. As conversas indicam que Costa buscava viabilizar repasses enquanto o Master enfrentava dificuldades de caixa. A PF encaminhou os diálogos ao STF para embasar a prisão decretada em abril.
Costa enviou mensagem ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando que estavam “juntando” suas vidas após negociação de recebimento de imóveis. Em outra passagem, ele questionou a “necessidade de caixa” de Vorcaro para viabilizar os aportes ao banco privado. As informações constam de trechos inéditos divulgados pelo Estadão.
A PF afirma que Costa aceitou propina por meio de seis imóveis de luxo, avaliados em 146 milhões de reais, com 74 milhões já pagos. A acusação sustenta que os imóveis seriam contrapartida por aportes de 12 bilhões de reais do BRB em carteiras fraudulentas do Master.
Contexto operacional
Em novembro de 2024, Vorcaro orientou uma corretora a localizar imóveis para Costa. O condomínio Heritage, no Itaim Bibi, em São Paulo, é citado entre as opções. Uma unidade decorada foi estimada em 45 milhões de reais, e houve empenho de Costa para que a visita fosse possível.
Contatos e negociações
Depois da visita, Costa enviou mensagem agradecendo a Vorcaro pela oportunidade e mencionando que estavam “juntando” as vidas. Durante as conversas, Costa demonstrou interesse em incorporar carteiras do Master às operações do BRB para ampliar liquidez.
A investigação revela ainda tratativas sobre a venda de carteiras do Master ao BRB, com Vorcaro sugerindo alternativas caso surgissem problemas nas opções inicialmente apresentadas. O diálogo também abordou estruturas para atender aos pré-requisitos do acordo.
Carteiras e irregularidades
As conversas indicam que Costa planejava usar o BRB para deixar as carteiras do Master menos problemáticas, enquanto a PF aponta irregularidades graves nas carteiras ofertadas. Há referência a um modelo de remuneração ligado a convênios de crédito.
Diante dos relatos, as defesas de Costa, Vorcaro e do BRB não se manifestaram até o momento. As informações completas dependem de audiências e de documentos anexados aos autos.
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