- Em 2023, Javier Milei venceu as eleições na Argentina, o que gerou previsões de desastre histórico feitas por um manifesto assinado por mais de cem economistas.
- No fim de 2023, a inflação anual superava 210%; nos anos seguintes, a inflação desacelerou, com meses entre 2% e 3% em 2025 e 2026, sinalizando maior previsibilidade.
- Milei promoveu ajuste fiscal: cortou ministérios, reduziu subsídios, enxugou gastos públicos e controlou a emissão de moeda, levando a um superávit fiscal primário pela primeira vez em décadas.
- A economia reagiu mais rápido do que o previsto: estabilização macro, atração de investimentos em energia, mineração e agro, e melhora relativa de indicadores de pobreza conforme a inflação caiu.
- O episódio mostra como previsões econômicas podem falhar e provocar debates sobre viés ideológico; se a economia continuar estável e crescer, Milei pode se tornar um dos experimentos econômicos mais relevantes do século.
Javier Milei venceu as eleições de 2023 na Argentina, gerando expectativas conservadoras sobre a economia do país. Um manifesto assinado por mais de cem economistas, incluindo nomes conhecidos, apresentava a agenda libertária como causadora de devastação econômica e social.
Quase três anos depois, a Argentina encara problemas estruturais e fragilidade cambial, mas não vive o cenário de colapso previsto por parte da comunidade econômica internacional. A inflação, por exemplo, evoluiu de forma diferente do esperado pelos críticos.
No final de 2023, a inflação anual superava 210%, com forte fuga para o dólar e queda acelerada no valor do peso. Meses de inflação mensal acima de 20% também foram registrados, acentuando a percepção de pré-colapso monetário.
Contexto econômico
Sob Milei, a inflação desacelerou de forma expressiva em 2025 e 2026, com meses entre 2% e 3%. Embora ainda alta, esse ritmo representa maior previsibilidade para a economia argentina, que convive há décadas com inflação crônica.
O ajuste fiscal promovido pelo governo foi destaque. Cortes de ministérios, redução de subsídios e menor emissão de moeda contribuíram para a queda de déficits e para a volta de superávits primários, ruptura histórica em relação ao padrão anterior.
A despeito das críticas iniciais, setores como energia, mineração e agro receberam investimentos e contribuíram para a recuperação. Indicadores de pobreza também mostraram melhora relativa à medida que a inflação desacelerava.
Perguntas sobre previsões
Especialistas questionaram a alta credibilidade de previsões econômicas, em especial no início do governo. A reação inicial foi de queda de atividade e piora social temporária, seguida por estabilização macroeconômica e melhoria de expectativas.
Ao longo do tempo, a narrativa sobre Milei variou entre destruição imediata e impactos sociais futuros. O debate passou a enfatizar a viabilidade de longo prazo das reformas e os efeitos sobre o bem-estar da população.
Se a trajetória de redução da inflação, equilíbrio fiscal e retomada do crescimento for mantida, o governo Milei pode entrar como um dos casos mais estudados do século. O eventual sucesso ou fracasso do modelo permanece como tema de intenso escrutínio.
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