- O IPCA-15 de maio subiu 0,62% e acumulou 4,64% em doze meses, impulsionado por alimentação e serviços.
- Alimentação em domicílio avançou 1,73% no mês, surpresa negativa para o mercado.
- Serviços continuam sendo o principal vetor de inflação, com alta persistente e núcleo ainda pressionado.
- Bens industriais e gasolina ajudaram a aliviar parte do índice, apesar da pressão geral.
- Mercado mantém expectativa de juros elevados por mais tempo, com leitura de que a inflação não desacelera rapidamente e projeções próximas a 13,25% para a Selic em 2026.
O IPCA-15 de maio ficou acima das expectativas e aumenta a cautela sobre a velocidade da desaceleração da inflação brasileira. O índice subiu 0,62% no mês, levando a variação em 12 meses a 4,64%. Alimentação e serviços foram os principais impulsionadores.
O aumento de alimentos dentro do domicílio, com alta de 1,73%, surpreendeu o mercado, que esperava recuo nesse grupo. Economistas destacam que a surpresa veio de itens tanto in natura quanto industrializados, disseminando o efeito inflacionário.
Serviços segue como a principal preocupação para o Banco Central. Mesmo com leve recuo em relação às projeções, a inflação de serviços continua elevada, refletindo um mercado de trabalho resistente e demanda doméstica aquecida, segundo especialistas.
O que mudou no cenário
Bens industriais mostraram alívio, especialmente em itens duráveis e vestuário, com queda de automóveis ajudando a conter o índice. Preços administrados também contribuíram, com queda da gasolina amenizando parte da pressão.
Mercado internacional também influencia a leitura. Tensões no Oriente Médio continuam atrapalhando o controle da inflação global, elevando preços de petróleo e frete. A combinação de fatores externos amplia a incerteza sobre uma desaceleração mais rápida no Brasil.
Perspectivas para a política monetária
Apesar da leitura mais elevada, o consenso entre analistas não muda a visão de juros elevados por mais tempo. A Genial Investimentos projeta IPCA de 4,9% e Selic de 13,25% para 2026, mantendo tom conservador.
A percepção é de que o BC acompanhará de perto núcleos de inflação e o comportamento dos serviços, que são os principais parâmetros para a condução da política monetária. A leitura atual aponta para redução gradual da inflação, porém lenta.
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