- IPCA-15 de maio subiu 0,62% e ficou em 4,6% em doze meses, acima do teto da meta do Banco Central (4,5%) e da meta central (3%).
- O grupo alimentação e bebidas avançou 1,38%, respondendo por quase metade da inflação mensal.
- O mercado olha com cautela para riscos de choques de oferta e para a chegada do El Niño no segundo semestre, que pode pressionar ainda mais os preços de alimentos.
- Mesmo com a alta, especialistas não veem mudança imediata na trajetória da Selic; projeção permanece de queda de 0,25 ponto percentual em breve, com a inflação de curto prazo ainda pressionada.
- A inflação persistente afeta o crédito corporativo, elevando o custo de capital e impactando decisões de investimento e financiamento das empresas.
A prévia da inflação de maio, medida pelo IPCA-15, teve alta de 0,62% no mês e chegou a 4,6% em 12 meses, segundo o IBGE. O resultado ficou acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, com meta central de 3%.
O grupo alimentação e bebidas puxou a inflação, com alta de 1,38% e responsável por quase metade do índice mensal. Economistas destacam que a pressão permanece mesmo diante de sinais de desaceleração em abril, alimentada por fatores climáticos e geopolíticos.
As expectativas para o cenário seguem cautelosas: a combinação de custos de energia, serviços e cadeia de suprimentos mantém o cenário inflacionário sob tensão. A chegada do El Niño no segundo semestre é apontada como risco extra para preços de alimentos.
Impacto para as empresas
A persistência da inflação eleva o custo de capital e pode manter a Selic em patamar elevado por mais tempo, segundo analistas. Em relação ao curto prazo, o IPCA-15 sinaliza necessidade de revisões nas projeções de inflação.
Especialistas destacam que a inflação de serviços continua sendo um fator de resistência, influenciando a curva de juros nos vencimentos mais longos. O avanço de itens ligados ao mercado de trabalho também é apontado como elemento de sustentação da inflação.
Alguns componentes administrados mostraram alívio, como queda da gasolina e desaceleração de alguns bens industriais, mas o impacto externo permanece evidente. Tensões em regiões produtoras de petróleo elevam fretes e expectativas inflacionárias globais.
Para o mercado de crédito, o cenário sugere maior seletividade e custo do capital. Empresas com recebíveis previsíveis e boa capacidade de pagamento tendem a ter melhor acesso ao crédito, enquanto companhias com alta alavancagem podem sentir impacto maior.
Analistas afirmam que a inflação por serviços e a rigidez de preços de setores sensíveis ao emprego devem manter o tom das decisões de política monetária. A expectativa é de que a Selic permaneça elevada nas próximas reuniões.
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