- Neoindustrialização é o caminho defendido para elevar a produtividade, com foco em inovação, sustentabilidade e inserção internacional, enfrentando gargalos como desindustrialização, infraestrutura, custo de capital e burocracia.
- A Nova Indústria Brasil foi estruturada em seis missões; em quatro delas o investimento privado supera o público, com destaque para o setor automotivo por meio do programa Mover e créditos tributários que estimulam pesquisa e expansão industrial.
- O comércio exterior precisa de produtividade e competitividade: o Brasil não deve fechar o mercado, mas fortalecer a indústria para vender mais no exterior e reduzir dependência de indústria defasada.
- Importações pressionam a indústria de base, especialmente aço, siderurgia, química e automóveis, devido à capacidade produtiva asiática; é defendido uso de instrumentos regulatórios e atração de produção local para ampliar conteúdo nacional.
- O acordo Mercosul–União Europeia é visto como oportunidade de ampliar mercados, mas exige melhoria de produtividade e inovação; regras de transição buscam segurança a setores sensíveis e pedem coordenação entre Estado e setor privado.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou no BM&C Talks uma estratégia para elevar a produtividade industrial no Brasil. O evento, apresentado por Carlo Cauti, ocorreu dentro do contexto de uma reconfiguração global de cadeias produtivas e busca ampliar a competitividade brasileira.
Rosa destacou que o país precisa transformar vantagens em produção, inovação e exportação. Alertou para gargalos estruturais, como desindustrialização, infraestrutura deficiente, custo do capital e burocracia, que freiam a produtividade diante de uma competição internacional mais acirrada.
Neoindustrialização visa recuperar espaço perdido
O ministro defendeu a construção de uma nova base industrial alinhada a transformações tecnológicas e ambientais. A neoindustrialização seria necessária devido à mudança das cadeias globais e à necessidade de incorporar inovação, sustentabilidade e inserção internacional.
Rosa argumentou que a indústria brasileira sofreu redução de participação no PIB e retração do mercado interno. Citou instruments do governo, como a Nova Indústria Brasil, o PAC e a agenda de transição ecológica, como ferramentas para ampliar investimentos.
Comércio exterior e produtividade
A entrevista também tratou da reorganização do comércio internacional. O ministro apontou o aumento de barreiras tarifárias e não tarifárias como prática de proteção de setores estratégicos, especialmente com a redução da influência da OMC.
Segundo ele, o Brasil não deve adotar fechamento comercial, mas precisa fortalecer a indústria para vender mais ao exterior. A integração entre política industrial, comércio, produtividade e sustentabilidade seria essencial para reduzir a dependência de indústria defasada.
Nova Indústria Brasil atrai confiança do setor privado
Rosa explicou que a Nova Indústria Brasil foi estruturada em seis missões, envolvendo agroindústria, saúde, infraestrutura, transição digital, bioeconomia e defesa. Em quatro missões, o investimento privado já supera o público, sinalizando adesão empresarial.
Como exemplo, citou o setor automotivo por meio do programa Mover, voltado à mobilidade verde. Créditos tributários foram mencionados como estímulo à pesquisa, desenvolvimento e expansão industrial, sem substituir o papel do setor privado.
Importações e competição internacional
O ministro ressaltou que siderurgia, química, aço e automóveis estão entre os setores mais expostos a importações. A forte capacidade produtiva asiática exerce pressão sobre a indústria brasileira, justificando o uso de instrumentos regulatórios para evitar práticas desleais.
Rosa afirmou que a meta não é elevar tributos sobre importações, mas incentivar produção local, com maior integração produtiva e conteúdo nacional. Mencionou montadoras chinesas que passaram a operar no Brasil como exemplo de estratégia de manufatura local.
Mercosul, UE e estratégia multilateral
O acordo entre Mercosul e União Europeia foi visto como oportunidade de ampliar mercados e desafio competitivo. A integração pode ser transformadora desde que o Brasil avance em produtividade, inovação e ambiente de negócios.
Rosa destacou regras de transição para setores sensíveis, como automotivo, mas reconheceu abertura gradual que exige coordenação entre Estado e setor privado para manter investimentos e competitividade.
Relações com China e EUA
Sobre a disputa entre China e Estados Unidos, o ministro defendeu posição de multilateralismo, ampliando acordos comerciais e abrindo novos mercados. Não há indicação de escolher um bloco específico, mantendo vínculos com parceiros estratégicos.
A síntese da entrevista aponta que o Brasil precisa combinar produtividade, inovação, inserção internacional, segurança jurídica e formação de mão de obra para converter potencial em competitividade real num cenário global em que a indústria volta a ser central.
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