- Filipe Formiga, vice-presidente de Grid Solutions para a América Latina da Siemens Energy, defende antecipar leilões de transmissão para sustentar a expansão de data centers no Brasil.
- Ele afirma que o país ainda não está preparado para a onda de investimentos de empresas estrangeiras e big techs que planejam instalar centros de processamento de dados.
- A proposta inclui aumentar o número de lotes e de leilões de transmissão, bem como leilões de conexão para acesso ao grid em regiões com alta demanda.
- Como soluções, ele cita baterias para dar flexibilidade ao sistema e dispositivos FACTS para manter a estabilidade da rede diante de cargas dos data centers.
- O executivo também aponta o impacto da IA, citando o ChatGPT, que elevou a demanda de energia e exige planejamento para não perder investimentos.
O vice-presidente de Grid Solutions para a América Latina da Siemens Energy, Filipe Formiga, defendeu a antecipação de leilões de ativos de transmissão no Brasil. O objetivo é ampliar a capacidade da rede para suportar o aumento de demanda com a instalação de novos data centers, segundo entrevista ao Poder360.
Formiga afirmou que o país ainda não está preparado para receber o volume de investimentos de empresas estrangeiras e big techs que planejam instalar centros de processamento de dados. A previsão é de que mais leilões fortaleçam o backbone da rede e conectem novos centros com maior confiabilidade.
Ele destacou a importância de ampliar o número de blocos e de leilões de transmissão, para permitir mais subestações e linhas. O executivo também citou leilões de conexão, nos quais interessados disputam o acesso à rede na mesma região, como solução para ampliar o acesso a data centers.
Propostas e mecanismos de lance
Segundo Formiga, o modelo de leilão de conexão lançado pelo governo em dezembro de 2025 busca regular pedidos em pontos com demanda superior à capacidade. Quem oferecer maior bônus financeiro por kW vence o direito de se conectar, atraindo investidores.
A proposta, segundo o executivo, traz competição justa e maior garantia para que projetos de data centers avancem. Além disso, o setor poderia adotar baterias para flexibilidade do sistema e dispositivos FACTS para estabilidade frente a oscilações de carga.
Impacto esperado com a IA
Formiga ressaltou que o lançamento do ChatGPT, em 2022, marcou o início de uma demanda adicional para o sistema elétrico, acompanhando o crescimento de IA. O uso intensivo de energia em data centers pode chegar a multiplicar a demanda nos próximos anos, segundo ele.
Ele aponta que a concentração de cargas em pontos restritos aumenta o desafio de planejamento. Em cinco anos, a demanda de energia de IA pode triplicar ou mais, exigindo reforços tecnológicos, estruturais e regulatórios para acompanhar o ritmo de investimento digital.
Entre na conversa da comunidade