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Onix tem queda de vendas por falta de chips e concorrência

Onix perde liderança por mudança de perfil do mercado, aumento de SUVs e crise de semicondutores, com reposicionamento interno da Chevrolet ampliando o impacto em 2025

CHEVROLET ONIX PLUS PREMIER
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  • Em 2019, o Chevrolet Onix registrou 241.214 unidades, mais que o dobro do segundo colocado; em 2025, o hatch vendeu apenas 79.886 unidades no acumulado.
  • A queda tem múltiplos motivos: mudança de perfil do consumidor para SUVs, aumento da competitividade de modelos como Tracker, T-Cross, Pulse e Creta, e o reposicionamento interno da Chevrolet.
  • A crise global de semicondutores contribuiu para a redução de produção durante a pandemia, ajudando rivais a avançar enquanto o Onix perdia espaço.
  • Problemas de imagem envolvendo a correia dentada banhada a óleo nos motores tricilíndricos assessoram a percepção de falhas técnicas, afetando a confiabilidade associada ao Onix.
  • A Chevrolet tem feito movimentos de reposicionamento, avaliando entre investir novamente no Onix ou privilegiar modelos como o Sonic, conforme a preferência do consumidor e a competitividade do mercado.

O Chevrolet Onix pediu passagem no ranking de vendas do Brasil, afetado por uma conjunção de fatores que vão desde a escassez de semicondutores até a mudança de comportamento do consumidor para SUVs. O modelo, que já liderou o mercado por anos, hoje registra menos espaço entre os favoritos do público.

Em 2019, o Onix emplacou 241.214 unidades, muito acima do segundo colocado, o Ford Ka, com 104.331. Em 2025, o só- Onix hatch atingiu 79.886 unidades no acumulado, sinal de queda acentuada frente ao passado.

Especialistas apontam que a perda de liderança não tem cause única. O mercado mudou para utilitários esportivos, representando hoje cerca de 50% a 55% do total, e a demanda por SUVs alavancou modelos como T-Cross, Pulse, Creta e até opções da própria GM.

Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, o Onix sofreu com a evolução de concorrência, envelhecimento do produto e mudanças na preferência do consumidor, que migrou para SUVs. A chegada de modelos com propostas modernas pesou contra o hatch.

Entre as mudanças, o consultor cita o papel de o Onix ter sido um dos primeiros a oferecer multimídia de série, beneficiando a adoção inicial, enquanto o mercado rapidamente se reorganizava em torno dos SUVs.

Segundo Kalume, a escassez de componentes explica parcialmente a queda, mas não dá a razão principal. Houve também o avanço de Strada, HB20, Polo, além do crescimento da demanda por SUVs, que reduziu o share dos hatchs.

A readequação interna na Chevrolet também impactou o Onix. Versões de entrada do Tracker, posicionadas próximo aos Onix de maior preço, atraíram parte do público para o SUV.

A crise global de semicondutores, ampliada pela pandemia, afetou a produção e reduziu o volume de ofertas. O Onix, dependente de volume para sustentar a liderança, ficou menos competitivo diante de rivais que seguiram avançando.

Correia banhada a óleo e desempenho de manutenção

Casos de incêndio no Onix Plus, sedã ligado ao mesmo propulsor do hatch, geraram preocupação entre consumidores. O problema foi isolado e atribuído a uma calibração de software, mas a repercussão permaneceu.

A correia dentada banhada a óleo nos motores tricilíndricos também gerou debates. A tecnologia prometia eficiência, mas houve relatos de desgaste prematuro e danos ao motor, intensificando dúvidas sobre manutenção adequada.

Para Kalume, a manutenção correta, conforme recomendações da GM, ajuda, mas não evita o desgaste de imagem. Tenório Jr., da JR Automotiva, amplia o diagnóstico: muitos motoristas não seguem o óleo recomendado, o que aumenta riscos.

O reparador aponta relatos de falhas com a correia antes dos 100 mil quilômetros e custos elevados de substituição, associados a necessidade de mão de obra especializada. O tema contribuiu para a percepção de insegurança.

O Onix pode voltar ao topo?

A recuperação exigiria reposicionamento mais amplo da marca. A GM já atua nesse caminho, buscando reconquistar clientes tradicionais e ampliar o portfólio, com foco em produtos alinhados à nova demanda.

Especialistas discutem se vale a pena investir novamente no Onix ou apostar no Sonic, recém-lançado. A resposta pode explicar por que o hatch perdeu espaço e se há chance de retorno no mercado brasileiro.

A percepção de que o Onix pode retornar ao topo depende de fatores como inovação tecnológica, oferta de motores eficientes e a força competitiva dos SUVs frente aos compactos. A estratégia da GM continua sob avaliação.

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