- Josep María Recasens, atual presidente da Renault Iberia e responsável de estratégia, foi escolhido para ser o novo presidente executivo da Indra, substituindo José Vicente de los Mozos; mudanças oficiais devem ocorrer em dezoito de junho.
- A nomeação ocorreu no mesmo dia em que Recasens, em visita à sede do Ministério de Indústria e Turismo, participou de uma rodada de negociações com sindicatos para destravar o acordo coletivo das plantas de Palencia e Valladolid, com foco na produção de novos modelos e de uma plataforma de veículos elétricos.
- A Indra comunicou à Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV) a escolha do novo CEO, em meio à saída de De los Mozos; as mudanças oficiais dependem de tramitação adicional e assinatura em 17 de junho.
- Recasens tem trajetória no setor automotivo, passando pela Seat, seguiu para Renault e liderou a Ampere, divisão de veículos elétricos, até integrar a estratégia global do grupo e participar da presidência da Anfac.
- O Plano España Auto 2030, desenvolvido com o Ministério da Indústria e o setor, foi apresentado pelo governo em dezembro de 2025 para defender a capacidade industrial automotiva espanhola; Recasens teve papel central na elaboração do documento.
Recasens, atual estrategista-chefe da Renault, assume posição de destaque na Indra após receber sinal verde do conselho de administração. A nomeação ocorreu no momento em que ele ainda lidava com negociações laborais na Espanha para a Renault. O anúncio chegou ao mercado ao fim do dia, com a decisão sujeita à formalização em 17 de junho.
O ex-presidente da Renault Iberia e líder de estratégia, produto e programas do grupo mundial participava de uma reunião com sindicatos em Madrid, visando destravar a negociação do novo convenio coletivo das plantas de Palencia e Valladolid. A continuidade de modelos e uma plataforma de veículos elétricos estavam em jogo.
Indra e a escolha de Recasens
A Indra comunicou à CNMV que Recasens foi eleito para ser o novo CEO, substituindo José Vicente de los Mozos, que apresentou demissão. A mudança envolve transição gradual até a efetivação oficial em 17 de junho, conforme informado pela empresa.
Fontes próximas ao futuro CEO indicam motivos pessoais e profissionais para a mudança. Entre eles, o desejo de retornar a viver na Espanha e a atração pela liderança de uma empresa de grande peso no Ibex 35, impulsionada por contratos governamentais.
Trajetória no grupo Renault e ligações com Anfac
Recasens chegou à Renault após 14 anos na Seat, acompanhando Luca de Meo que o chamou para ocupar cargos de direção. No Grupo Renault, liderou Ampere, divisão de EVs, e participou da reestruturação que integraria a área de volta ao restante da empresa.
Antes de assumir a estratégia global da Renault, Recasens passou pela presidência da Anfac, a confederação de fabricantes de automóveis da Espanha, iniciando em julho de 2024. Durante esse período, colaborou com o Ministério da Indústria no desenvolvimento do Plan España Auto 2030.
Plan España Auto 2030 e atuação governamental
O Plan España Auto 2030 foi elaborado com apoio do Ministério da Indústria e Turismo e apresentado ao país como estratégia para fortalecer a base industrial automotiva em meio a um cenário desafiador para o setor na Europa. O plano contou com participação de autoridades governamentais e representantes da indústria automotiva.
O documento foi elogiado por dirigentes internacionais do setor, incluindo executivos de outras montadoras, e teve apoio público do governo, que destacou a importância de manter a capacidade industrial do país. Recasens foi peça-chave na formulação dessa estratégia durante sua gestão na Anfac.
Conexões com Defesa e futuro de Indra
Apesar de migrar para defesa, a pasta de indústria deverá manter estreita interlocução com o novo topo da Indra, dada a atuação da empresa em contratos militares. A expectativa é de continuidade na cooperação entre governo e setor privado na área de defesa, com Recasens no comando da Indra buscando alinhar estratégias corporativas e governamentais.
Enquanto isso, a saída de De los Mozos da Indra marca uma transição que para alguns analistas pode abrir espaço para mudanças significativas no grupo, com foco em expansão de contratos e fortalecimento de presença no setor militar terrestre.
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