- A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou, em votação simbólica, o Projeto de Lei 5.122/2023, que renegocia dívidas rurais com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, encaminhando o texto ao plenário em regime de urgência.
- O projeto cria uma linha especial de financiamento com prazo de até dez anos, três anos de carência, e taxas de juros de 3,5% ao ano para Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para Pronamp e 7,5% para demais produtores; há teto de até 10 milhões por beneficiário e 50 milhões para cooperativas, associações e condomínios rurais.
- As fontes de recursos incluem receitas correntes do Fundo Social em 2026 e 2027, superávits de fundos supervisionados pela Fazenda e emissão de títulos pelo Tesouro; pelo menos 20% dos recursos vão para Pronaf, 20% para Pronamp e 40% para quitação de operações com recursos livres.
- O valor total estimado para a renegociação é de cerca de R$ 180 bilhões, superando propostas anteriores da Fazenda; o texto também contempla Cédulas de Produto Rural e operações contratadas sob medidas de alongamento de dívidas.
- A Febraban pediu ajustes, alegando insegurança jurídica e desequilíbrios econômico-financeiros que podem elevar o custo do crédito, e reforçou a necessidade de mecanismos para maior previsibilidade e segurança para o crédito rural.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, em votação simbólica, o Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê a renegociação de dívidas rurais com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O texto segue ao plenário em regime de urgência, mas não deve ser votado hoje. O relatório foi do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que manteve a maior parte do conteúdo original, com ajustes solicitados pelo governo.
A ideia central é abrir uma linha de financiamento com fontes supervisionadas pelo Ministério da Fazenda para quitar débitos da atividade rural afetados por eventos climáticos ou impactos geopolíticos. O limite da linha será definido pelo Poder Executivo. O objetivo é oferecer alívio financeiro a produtores inadimplentes e fôlego para operações prorrogadas.
Houve negociações entre parlamentares e o Palácio do Planalto, mas não houve consenso entre Senado e Fazenda sobre o texto final. Um acordo parcial foi anunciado na véspera, 26 de junho, porém ainda gerou divergências entre órgãos. O agronegócio busca tramitação célere antes do Plano Safra, que tem início em 1º de julho.
Fontes de recursos, prazos e condições
O projeto autoriza quatro fontes de recursos para a renegociação, incluindo receitas correntes do Fundo Social (2026-2027) e superávits de fundos supervisionados pela Fazenda. Também permite uso de outros fundos, com prioridade de atendimento a Pronaf, Pronamp e demais produtores, além de recursos livres para quitação de operações.
O prazo fica em até dez anos, com carência de três. As taxas previstas variam: 3,5% ao ano para Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para Pronamp e 7,5% para demais produtores. O teto por beneficiário é de R$ 10 milhões, com R$ 50 milhões para cooperativas e entidades. Garantias permanecem as garantias habituais do crédito rural.
A linha especial será organizada pelo BNDES e repassada a credenciados. Os financiamentos devem ocorrer em até seis meses após a publicação da lei. Não impedem novas operações de crédito nem registram produtores em cadastros restritivos. Cobranças judiciais ficam suspensas durante o período de renegociação.
Elegibilidade e fundo garantidor
Podem renegociar parcelas vencidas ou vincendas de operações até 31 de dezembro de 2025, incluindo CPRs vencidas ou vincendas. Medidas provisórias recentes sobre alongamento de dívidas também entram. O relatório manteve a criação de um fundo garantidor para apoiar produtores afetados por eventos climáticos, com participação da União e de instituições financeiras, em modelo de blended finance.
Critérios de enquadramento incluem perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução de pelo menos 30% da renda bruta esperada. O objetivo é ampliar o acesso aos recursos conforme critérios técnicos aprovados pelo Legislativo.
Reação e perspectiva do setor
A Febraban, que representa grandes bancos, manifestou “grande preocupação” com o teor atual do projeto. A entidade pediu ajustes para reduzir riscos técnicos, evitar desequilíbrios econômico-financeiros e preservar a previsibilidade contratual. A Febraban enfatizou a necessidade de segurança jurídica e de evitar impactos negativos sobre o crédito rural.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) trabalha para aprovar o texto ainda hoje no plenário do Senado, mirando avançar antes do início do Plano Safra. Parlamentares ressaltam a importância de apoio ao setor diante de perdas climáticas e oscilações de preços, e discutem trâmites na Câmara.
O presidente do Senado indicou cautela na votação, sugerindo adiar a apreciação para permitir entendimento entre governo e Congresso. A ideia é reduzir divergências antes de levar o projeto ao plenário, considerando o atual quórum reduzido e o formato semipresencial da sessão.
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