- O Cartesia Recebíveis Imobiliários FII (CACR11) acumula queda próxima de sessenta por cento desde o fim de abril, quando interrompeu a distribuição de dividendos, impactando mais de vinte e seis mil cotistas e gerando perda de cerca de R$ 230 milhões.
- a inadimplência mais relevante envolve o CRI Helvetia, com saldo devedor de R$ 58,9 milhões, ligado à Helvetia 5 Administradora de Imóveis; o CRI entrou em default nesta semana após pagamento não realizado em 22 de maio de 2026.
- As obras do Helvetia Le Jardin, em Indaiatuba, foram interrompidas em setembro do ano passado por falta de pagamentos à SteelCorp; apenas parte do projeto foi concluída.
- As tentativas de venda massificada a um investidor institucional, envolvendo o Nest Eagle FII, não se concretizaram; as tratativas foram informadas aos cotistas ao longo de 2025 e 2026, até a suspensão anunciada em abril.
- A SteelCorp chegou a discutir a compra do empreendimento para reduzir o prejuízo, mas as negociações sobre o desconto da dívida foram encerradas há cerca de quarenta dias sem acordo; Cartesia não informou cotistas sobre esse passo.
O Cartesia Recebíveis Imobiliários FII CACR11 protagoniza uma crise financeira que derruba seu valor na bolsa. O fundo, conhecido pelo alto dividend yield, suspendeu os proventos e acumula queda de quase 60% desde o fim de abril. A causa principal envolve inadimplência do CRI Helvetia e obras paralisadas.
A gestora Cartesia Capital atribui a suspensão dos dividendos à frustração prolongada das entradas de caixa em projetos da carteira. O CRI Helvetia, devedor da Helvetia 5 Administradora de Imóveis, soma saldo devedor de R$ 58,9 milhões e entrou em default neste mês.
A operação está associada ao Helvetia Le Jardin, empreendimento de alto padrão em Indaiatuba, interior de São Paulo. As falhas remontam a 2023, com diversos waivers para evitar vencimento antecipado da dívida. Documentos obtidos pelo NeoFeed detalham esse histórico.
Entre os problemas, houve atraso de demonstrações financeiras auditadas da Helvetia 5 e falhas de documentação da destinação de recursos. Relatórios indicam falta de comprovantes de aplicação desde 2023 e balanços das fiduciantes T.A.R.E.F. e Vila Nova Conceição não entregues.
Fontes próximas apontam que as obras do Le Jardin foram interrompidas em setembro do ano passado, devido a inadimplência com a SteelCorp, contratada para a construção. Apenas parte do projeto foi concluída, com várias frentes ainda em aprovação.
O CRI previa pagamentos mensais de juros e amortização, além de um cash sweep mínimo. Em março de 2026, houve recebimento de R$ 886,9 mil da devedora, mas o saldo devedor permaneceu acima de R$ 61 milhões. O fundo de reserva ficou zerado.
Até abril, a gestora descrevia a venda ao investidor institucional como estratégia em negociação. A expectativa de fechamento mudou ao longo de 2025 e 2026, até a suspensão anunciada. A empresa afirmou que a venda não se concretizou.
As negociações envolviam o Nest Eagle FII, gerido pela Nest Asset, com potencial aquisição de imóveis no Helvetia Le Jardin. A operação incluía até 20 casas, condicionada a captação considerada satisfatória, que não se confirmou.
O Nest Eagle levantou R$ 157,8 milhões na primeira oferta, com uma segunda oferta encerrada em outubro de 2025, sem alcançar a captação prevista de R$ 360,2 milhões. Em novembro, as tratativas foram questionadas por órgãos de controle.
Em fevereiro de 2026, a assembleia aprovou a compra de imóveis com conflitos de interesse por cotistas, mas com 64,18% de rejeição. Mesmo assim, a gestora manteve a narrativa de negociação em andamento nos relatórios seguintes.
No novo cenário, a SteelCorp intensificou conversas para comprar o empreendimento como forma de reduzir prejuízos. A proposta incluía adquirir a dívida com desconto, mas não houve acordo. Lazio entre Cartesia, SteelCorp e Nest não foi divulgado publicamente.
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