- O argumento econômico para mineração no fundo do mar enfraquece, com estimativas de receita que não sustentam o projeto.
- A atividade seria em águas internacionais, consideradas patrimônio comum da humanidade, gerando debate sobre necessidade e urgência.
- Relatórios recentes questionam a dependência de minerais-chave para a transição energética e apontam que a demanda pode mudar com avanços tecnológicos.
- Vinte e duas instituições financeiras já adotaram políticas de exclusão ou restrição à mineração no oceano, totalizando cerca de 27,5 trilhões de dólares em ativos sob gestão.
- Análises independentes criticam estudos de viabilidade da Metals Company, indicando que, com disclosures adequados, o empreendimento não seria lucrativo.
O debate sobre a mineração em águas profundas ganha, a cada estudo, maior escrutínio sobre a viabilidade econômica e os impactos ambientais. O conteúdo analisa se há base suficiente para justificar a exploração comercial no leito oceânico internacional, considerado bem comum da humanidade.
A discussão aponta que, além dos riscos ecológicos, os benefícios financeiros não estão suficientemente robustos para justificar o investimento. Estudos recentes questionam se minerais extraídos nessas áreas são essenciais para a transição energética, diante de mudanças tecnológicas e de demanda.
Relatórios compilados por organizações ambientais e de pesquisa indicam que a viabilidade econômica é ainda menor do que a prometida pelos proponentes. Projeções de receitas em cenários otimistas não cobrem custos e proteções exigidas, segundo as análises.
No aspecto regulatório, a exploração em áreas internacionais envolve a Autoridade Internacional dos Fondos Marinhos (ISA). Observa-se também o uso de argumentos de segurança nacional para justificar a atuação em águas internacionais, com críticas sobre legalidade e efeitos sobre o patrimônio comum.
Desempenho do setor financeiro mostra pressão crescente contra o investimento em mineração de fundo marinho. Dados de três relatórios indicam que dezenas de instituições financeiras, com trilhões de dólares em ativos, já adotaram políticas que restringem ou excluem esse tipo de financiamento.
Entidades envolvidas e críticas
Entre as organizações, a Deep Sea Mining Campaign (DSMC) avaliou estudos de viabilidade apresentados pela empresa The Metals Company (TMC) e aponta discrepâncias entre custos e potenciais benefícios, sugerindo que o projeto não geraria lucros significativos sob padrões de divulgação financeira rigorosos.
Outra análise, também da DSMC, avalia o relatório final de “Red Lines in the Abyss”, que lista bancos, seguradoras e gestores de ativos que adotaram políticas de exclusão ou restrições ao financiamento de mineração em águas profundas, com cerca de 27,5 trilhões de dólares em ativos sob gestão.
Em webinars promovidos pela DSMC, especialistas destacam que o risco financeiro é tão relevante quanto o ambiental, reforçando a necessidade de avaliação cuidadosa antes de qualquer avanço. O ritmo de adoção de políticas restritivas tem sido rápido, segundo os participantes.
Contexto regulatório e futuro
O ISA tem discutido regras finais para a exploração, com possíveis esquemas de partilha de benefícios para países em desenvolvimento. No entanto, as avaliações independentes indicam que os cenários de investimento permanecem frágeis e sujeitos a mudanças tecnológicas e de demanda.
Embora haja apelos de governos e empresas para acelerar licenças, a evidência econômica atual sugere cautela. Especialistas afirmam que avançar sem robustez nos fundamentos econômicos pode representar risco financeiro e ambiental significativo para o planeta.
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