- Um robô-operado pela Greenpeace afixou uma faixa com a frase “LISTEN TO THE SCIENCE” a cerca de 2.300 metros de profundidade, diante do campo de ventos hidrotermais Loki’s Castle, no mar de Noruega.
- A ação ocorreu em 27 de maio, during a Deep Arctic Expedition, e é apresentada como o protesto mais profundo já registrado.
- O local fica no Ártico, numa área que o governo norueguês abriu, em 2024, para mineração no fundo do mar, decisão que foi revertida após pressão política.
- Em 2025, a Noruega decidiu pausar a mineração no fundo do mar até o fim de 2029 e cortou o financiamento público para o mapeamento do leito; mais de quarenta países apoiam uma moratória global.
- O protesto acontece após a entrada em vigor do Acordo sobre Biodiversidade nas Zonas de Alto Mar (High Seas Treaty) em 17 de janeiro de 2026, para proteger a vida marinha em águas internacionais.
Um veículo operado remotamente da Greenpeace desdobrou um banner submerso a cerca de 2.3 mil metros de profundidade no Mar Norueguês, diante de Loki’s Castle. A ação ocorreu no início de 27 de maio, durante a Expedição Ártica Profunda.
O protesto utiliza uma peça de sinalização que lê LISTEN TO THE SCIENCE. A iniciativa visa defender ecossistemas marinhos que, segundo a organização, não têm voz para se defender sozinhos. A operação contou com apoio da equipe tecnológica da Greenpeace.
A missão ocorreu em uma região do fundo do oceano que foi aberta, ainda em 2024, para exploração de minerais pela Noruega, decisão que gerou críticas internacionais na época. O objetivo é chamar atenção para impactos potenciais da extração no leito marinho.
Loki’s Castle e o ecossistema
Loki’s Castle, campo de fontes hidrotermais descoberto em 2008 entre Groenlândia e Noruega, abriga comunidades diversas de vida adaptadas a temperaturas extremas. Fluidosas entre 300 e 320 °C, as chimeneias minerais alimentam espécies microbianas consideradas ancestrais de formas de vida mais complexas.
Relatórios científicos recentes identificaram novas espécies ao redor das ventoinhas, reforçando a ideia de que áreas como essa merecem proteção especial. Pesquisadores apontam que tais ecossistemas são vulneráveis a atividades de mineração no fundo do mar.
No âmbito político, a Noruega abriu áreas de águas árticas para exploração mineral no início de 2024, medida que recebeu críticas de organismos europeus. Em dezembro de 2025, o Parlamento norueguês decidiu interromper a mineração em profundidade até o fim de 2029 e reduziu o financiamento público para mapeamento do leito.
Contexto internacional e demandas
Mais de 40 países já apoiam uma moratória global sobre a mineração em grandes profundidades. O protesto da Greenpeace surge um mês após a entrada em vigor de um acordo internacional sobre a proteção da vida marinha em águas internacionais, conhecido como Tratado dos Mares.
O tratado estabelece um arcabouço jurídico vinculante pela conservação da biodiversidade marinha nas áreas além da jurisdição nacional. A categoria de “mares altos” representa mais de 60% da superfície oceânica e, segundo organizações ambientais, apenas uma pequena parcela está protegida.
Greenpeace solicita que governos utilizem o novo tratado para criar santuários oceânicos e imponham uma moratória imediata à mineração no fundo do mar.
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