- Mais de 80% das construtoras relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados, como pedreiros, carpinteiros, armadores, instaladores e mestres de obras.
- Envelhecimento da mão de obra, pouca renovação geracional e migração para logística e serviços reduzem a disponibilidade de trabalhadores, aumentando custos e atrasos.
- A produtividade da construção no Brasil enfrenta desafios, com estudos indicando ganhos muito abaixo de setores industriais.
- A indústria da construção começa a adotar sistemas modulares e off-site, que podem reduzir o prazo de entrega em até quatro vezes, dependendo do projeto.
- Obstáculos incluem logística de transporte de módulos e um ambiente regulatório e financeiro ainda mais alinhado com o modelo tradicional; algumas etapas devem migrar para ambientes industriais, em modelo híbrido.
A construção civil brasileira vive uma transformação que avança em meio à escassez de mão de obra qualificada. O setor enfrenta apagão de profissionais, aumento de custos e atrasos, fatores que aceleram a adoção de sistemas modulares e off-site para melhorar previsibilidade.
Mais de 80% das construtoras relatam dificuldade para contratar operários qualificados, segundo a CBIC. Pedreiros, carpinteiros, armadores, instaladores e mestres de obras são os cargos mais escassos, elevando prazos e custos em obras.
O envelhecimento da mão de obra, a baixa renovação geracional e a migração para atividades logísticas ajudam a explicar o problema. Além disso, a pressão por produtividade se intensificou nos últimos anos, afetando cronogramas de projetos.
Dados da FGV IBRE colocam a construção entre os setores com maiores desafios de produtividade na economia brasileira. Em âmbito global, a McKinsey aponta ganho de menos de 1% ao ano na produtividade da construção nas últimas décadas.
Nesse cenário, a industrialização ganha espaço no Brasil. Sistemas modulares e modelos off-site são vistos como solução para reduzir dependência operacional, desperdícios e melhorar o controle técnico das obras.
Parte da construção já é produzida em ambientes industriais, com linhas de montagem que promovem maior qualidade e cronograma mais estável. Em alguns projetos, a execução pode cair até quatro vezes em relação aos métodos tradicionais.
Segundo Celso Zaffarani, fundador da Zaffarani Design Build, a industrialização deixou de ser apenas inovação técnica e passou a necessidade operacional. Sem ela, o setor fica menos eficiente diante da escassez de mão de obra e da pressão de prazos.
Segmentos como hotelaria, saúde e projetos corporativos devem acelerar a tendência para reduzir impactos operacionais durante obras e reformas, segundo o empresário.
Em projetos corporativos e hoteleiros, maior controle industrial sobre etapas específicas aumenta a previsibilidade de entrega e reduz impactos na operação do cliente, explica Zaffarani.
O movimento acompanha tendências globais. A Dodge Construction Network prevê crescimento do mercado internacional de construção modular, com impulso de produtividade, sustentabilidade e menos desperdício, com uso já presente em hotéis, hospitais e habitações multifamiliares nos EUA e Europa.
Entretanto, o Brasil enfrenta barreiras logísticas e regulatórias. O transporte de módulos requer infraestrutura rodoviária compatível, planejamento eficiente e adaptação técnica, limitando a expansão em determinadas regiões.
Além disso, o ambiente regulatório e financeiro da construção ainda é baseado no modelo tradicional de canteiro. O futuro deve incluir maior integração entre industrialização e execução em campo, sem extinguir plenamente a construção convencional, segundo especialistas.
Pesquisas internacionais indicam que sistemas industrializados reduzem desperdícios, retrabalho e consumo de água, temas cada vez mais presentes em exigências de clientes e órgãos reguladores.
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