- Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto, investiga uso de fintechs pelo PCC para movimentar recursos, incluindo abertura serial de empresas de fachada.
- Seis fintechs teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, com depósitos em espécie e contas abertas em outras instituições, gerando dupla camada de ocultação.
- “Contas bolsão” e “conta gráfica” seriam utilizados para blindar titulares e origem/destino dos recursos, dificultando rastreabilidade pelo sistema financeiro.
- O PCC aproveitaria estruturas de instituições de pagamento para transitar dinheiro ilícito do tráfico e atividades formais, como redes de postos de combustíveis.
- Apuração aponta três frentes para ocultar o fluxo de nafta: contratação com compliance falho, criação de instituições de pagamento para grupos criminosos e titularidade das contas por organizações criminosas.
A Operação Fluxo Oculto deflagrou, nesta quinta-feira, 28, buscas em 59 endereços de suspeitos de integrarem o PCC. A ação envolve Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Fazenda do Estado, Polícia Civil e a Agência Nacional de Petróleo. O objetivo é desarticular o esquema de desvio de nafta e adulteração de combustíveis, ligado ao crime organizado.
Promotores do Gaeco, o braço do MP que combate o crime, apuram a abertura serial de empresas de fachada. Além disso, identificam o uso de seis fintechs para movimentar recursos ilícitos do tráfico e de atividades legais, como redes de postos de combustíveis. As operações buscavam desvios por meio de contas utilizadas pela facção.
A apuração aponta que a prática envolve a chamada morfologia das fintechs, com contas bolsões e contas gráficas para ocultar a origem, o destino e a titularidade de recursos. O modelo permite movimentar dinheiro em contas sob titularidade de empresas, mas com controle restrito sobre a identidade real dos beneficiários.
Como funciona a morfologia das fintechs
De acordo com o inquérito, as seis fintechs movimentaram mais de 26 bilhões de reais entre 2022 e 2025. Operações suspeitas incluíram depósitos em espécie e contas abertas em outras instituições de pagamento, criando camadas de ocultação. Uma instituição recebeu mais de 1 bilhão em espécie entre 2022 e 2024.
O sistema envolve uma instituição financeira responsável por constituir as contas sob titularidade da fintech. Assim, o dinheiro circula entre contas de pagamento e instituições tradicionais, dificultando o rastreamento pelos órgãos de fiscalização. O relatório aponta que o vínculo direto entre o dinheiro e o titular final fica obscuro no sistema financeiro.
Impactos e consequências para o controle financeiro
Os investigadores destacam que a estrutura impede a identificação de titulares e a origem ou destino dos recursos, facilitando a blindagem patrimonial. As contas bolsões agregam recursos de diversos clientes sem segregação formal, enquanto as contas gráficas registram internamente as transações sem revelar o titular final.
Tal configuração aumenta os riscos de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, conforme o Ministério Público. As ações visam ainda coibir fraudes financeiras, operações com criptoativos e manipulação de resultados associadas ao uso de fintechs pelo grupo criminoso.
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