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Operação mira fintechs da Faria Lima por lavagem de bilhões no combustível

Segunda fase da Carbono Oculto investiga fintechs da Faria Lima e fundos de investimento usados para ocultar cerca de R$ 4 bilhões ligados a adulteração de combustíveis e sonegação

Operação Fluxo Oculto trata-se da segunda fase da Operação Carbono Oculto, maior operação contra o crime organizado da história do país
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  • Segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada Fluxo Oculto, deflagrada em 28 de maio, mira fintechs e fundos de investimento usados para movimentar recursos de fraudes tributárias e adulteração de combustíveis.
  • Ao todo foram cumpridos cerca de sessenta mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
  • Investigação aponta uso de instituições de pagamento na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, como dutos para concentrar movimentações de dezenas de postos de combustíveis em contas únicas.
  • Movimentações atípicas identificadas somam quase quatro bilhões de reais; o esquema incluía rápida migração de recursos entre fintechs para dificultar fiscalização.
  • Líderes apontados são Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, foragidos, com tentativa de delação premiada rejeitada; envolve ainda a “máfia do nafta” e quatro fundos investigados, somando patrimônio de cerca de 205 milhões de reais.

A segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto, investiga um esquema bilionário ligado ao mercado de combustíveis. A ação, deflagrada nesta quinta-feira (28/5), envolve o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal para apurar uso de fintechs e fundos de investimento na ocultação de recursos vinculados a fraudes tributárias e adulteração de combustíveis.

Ao todo, cerca de 60 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Segundo as autoridades, empresários, operadores logísticos e empresas de fachada mantinham operações mesmo após investigações anteriores, migrando para novas estruturas societárias e plataformas financeiras.

A investigação aponta que instituições de pagamento situadas principalmente na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, atuavam como dutos para concentrar movimentações de dezenas de postos de combustíveis em contas únicas. Movimentações atípicas somam quase R$ 4 bilhões, conforme relatório de inteligência financeira.

Escopo financeiro e lideranças

Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, são apontados como líderes do esquema e permanecem foragidos. O Ministério Público informou que houve tentativa de delação premiada, rejeitada por omissão de informações sobre lavagem de dinheiro, ligações com o PCC e possíveis casos de corrupção policial.

Além da frente financeira, a operação mira a chamada máfia do nafta, ligada ao desvio de solventes tributados de forma reduzida para a produção irregular de gasolina adulterada. Empresas de fachada teriam emitido notas fiscais falsas para simular vendas a indústrias inexistentes, com o combustível sendo enviado a distribuidoras e terminais.

Mais de 135 milhões de litros de nafta teriam sido desviados em pouco mais de dois anos. O prejuízo com sonegação fiscal é estimado em acima de R$ 200 milhões, segundo as apurações. A investigação também acompanha quatro fundos de investimento usados para legitimar as transações fraudulentas e ocultar os beneficiários finais, com patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões.

Entre as empresas alvo estão fintechs como Ceopag, Sispay, Yaw, America Payment e Smart Solutions Group, além da gestora Ello Asset. Parte dessas organizações ainda possuía licença do Banco Central pendente de validação, conforme registros públicos. A Ceopag tem origem ligada a um aplicativo de delivery voltado a pequenas cidades, o Ceofood, e aparece associada à movimentação financeira investigada. A Smart Solutions Group atua, ainda, no segmento de cofres inteligentes para supermercados e drogarias.

Fontes do G1 indicam ligações indiretas entre operadores financeiros do esquema e membros do PCC. O MP aponta que diferentes grupos compartilhariam estruturas financeiras semelhantes, com fintechs e operadores usados para lavagem e circulação de recursos ilícitos. Defesas não foram localizadas até a publicação deste texto.

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