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Dinheiro cresce quando florestas são priorizadas

Brasil lidera o financiamento à conservação, mas há lacuna global de US$ 214 bilhões, enquanto novos instrumentos buscam reverter a destruição das florestas

Imagem ilustrativa de uma árvore de dinheiro — Foto: Getty Images
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  • O texto debate a desconexão entre o valor das florestas para a economia e o financiamento real para conservação, destacando que, em 2023, o gasto global foi de US$ 84 bilhões, faltando US$ 214 bilhões para alcançar a estimativa de US$ 300 bilhões em 2030, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
  • O Brasil aparece como líder em novas formas de financiamento para conservação e restauração, com o mercado de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) como exemplos potenciais de recursos significativos.
  • O TFFF tem potencial para desembolsar até US$ 4 bilhões por ano para remunerar a conservação de florestas tropicais em países em desenvolvimento.
  • O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou um portfólio de soluções financeiras para o setor florestal, enquanto o Fundo Amazônia investiu quase R$ 2 bilhões em dois últimos anos em projetos de conservação e restauração.
  • O EcoInvest, coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, já mobilizou mais de R$ 127 bilhões até o início de 2026, com foco em bioeconomia, transição energética e infraestrutura verde na Amazônia Legal.

O tema é debatedo: florestas geram renda, empregos e bem-estar, mas continuam subfinanciadas em relação ao valor que fornecem. O texto aponta a importância de priorizar a conservação em comparação à destruição, destacando que o valor real das florestas nem sempre entra nas decisões econômicas.

Dados internacionais mostram a dimensão do desafio. O PNUMA estima necessidade anual de US$ 300 bilhões para as florestas globais até 2030, enquanto, em 2023, o gasto foi de US$ 84 bilhões. A lacuna chega a US$ 214 bilhões, representando menos de um terço do PIB de alguns países.

Além disso, o estudo do PNUMA aponta desequilíbrio grave: em 2023, cerca de US$ 7,3 trilhões foram destinados a atividades que degradam a natureza. A cada US$ 1 investido em soluções naturais, US$ 30 vão para atividades que as destroem.

Financiamento e mecanismos emergentes

O Brasil lidera iniciativas para financiar conservação e restauração. O mercado de carbono busca monetizar estoques de carbono em florestas, com estimativas de US$ 3 bilhões a US$ 6 bilhões via REDD+ regional. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) também tem potencial de desembolsar US$ 4 bilhões anuais.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) consolida um portfólio com crédito a empresas florestais e doações a governos e organizações para restauração. O Fundo Amazônia investiu quase R$ 2 bilhões em dois anos em conservação e combate ao desmatamento.

Avanços da economia ambiental

O EcoInvest, coordenado por Fazenda e Meio Ambiente, mobilizou mais de R$ 127 bilhões até 2026, com R$ 30 bilhões para recuperação de 1,4 milhão de hectares degradados. Projetos apoiados incluem transição energética, bioeconomia, economia circular e infraestrutura verde.

A avaliação de serviços ecossistêmicos ganha espaço na tomada de decisão pública, com estudos para um PIB Verde federal em curso. No setor privado, surgem cadeias que valorizam sociobiodiversidade e uso de blended finance para ampliar capital de giro.

Desafios operacionais

Apesar dos avanços, ainda há gargalos na implementação: é necessário articular diferentes instrumentos financeiros no território, estruturar projetos viáveis e ampliar a formação de equipes para gerir fundos públicos e privados, garantias e mercados ambientais.

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