- O volume de novos escritórios em construção atingiu o menor nível em 25 anos nas Américas, com pressão de custos, sistema híbrido de trabalho e maior cautela das empresas.
- O Brasil continua entre os mercados mais competitivos da região, com custo médio de US$ 79 por pé quadrado.
- Os custos de construção no Brasil subiram 50% em relação a 2025, puxados pela recomposição inflacionária, ajustes na cadeia de fornecedores e câmbio; os acabamentos tiveram alta de 177%.
- Nos Estados Unidos, especialmente na Costa Oeste, há preços elevados em cidades como São Francisco, San Jose e Seattle, influenciados por mão de obra, normas de construção e custos operacionais e de seguros.
- O estudo aponta uma tendência de retrofit e reaproveitamento de ativos existentes, com foco na atualização de portfólios e menos expansão via novos empreendimentos; 79% das construtoras esperam novos aumentos de custos nos próximos seis meses.
O volume de novos escritórios em construção nas Américas atingiu o menor nível em 25 anos, segundo o estudo Office Fit Out Cost Guide 2026 da Cushman & Wakefield. O recuo é associado ao crescimento do trabalho híbrido, juros elevados e cautela corporativa.
A pesquisa envolve 59 mercados da região, incluindo Canadá, EUA e México, com dados de 2026 coletados junto a empresas da construção. A métrica é o pé quadrado, para compatibilidade com mercados americanos.
Brasil permanece entre os mercados mais competitivos da região em preço por pé quadrado, com custo médio de US$ 79. Ainda assim, os custos de construção no país subiram 50% em relação a 2025, impulsionados por inflação, cadeia de suprimentos e câmbio.
Os elevados custos nos EUA concentram-se em cidades da Costa Oeste, como São Francisco, San Jose e Seattle, impactados por mão de obra, sindicatos, normas de construção, código sísmico e seguros. Esses fatores elevam o custo por pé.
Fatores estruturais continuam a influenciar o mercado, incluindo reconfiguração de cadeias de suprimento, políticas comerciais e complexidade de projetos. As firmas enfrentam maior exigência em ESG e eficiência energética.
Apesar de demanda em alguns mercados, a atividade global de construção permanece baixa. Empresas não preveem queda nos custos de materiais ou mão de obra nos próximos seis meses.
Diante disso, há expectativa de que parte dos aumentos seja absorvida pelas construtoras, sem repasse integral aos clientes. O cenário atual reforça a prudência orçamentária.
O custo médio de implantação de escritórios ficou em US$ 149 por pé quadrado, alta de 5,5% frente a 2025. A recuperação varia conforme inflação local e localidade.
A pesquisadora aponta menor disponibilidade de novos espaços e a necessidade de adaptar escritórios ao modelo híbrido, visando mais eficiência de custos e prazos.
O retrofit cresce como estratégia central de investimento corporativo, deslocando o foco de novas obras para atualização de ativos existentes, especialmente em prédios Classe A.
Oportunidades no Brasil
No Brasil, os custos estruturais devem permanecer baixos em relação à região, com mão de obra acessível e regulação menos rígida. A reutilização de espaços reduz custos e acelera entregas.
O estudo indica potencial elevado para retrofit e modernização de escritórios existentes, promovendo readequação sem novas construções em mercados maduros.
Ivone Machado, diretora da Cushman para a América Latina, ressalta que o mercado está migrando de um choque inflacionário para um patamar de custo estrutural mais elevado e complexo de gerenciar.
Conforme o levantamento, 79% das construtoras preveem novos aumentos de custos de mão de obra e materiais nos próximos seis meses, com pressão contínua em itens como cobre, concreto e componentes elétricos.
O relatório aponta que o escritório está virando investimento estratégico, buscando equilibrar experiência, produtividade e eficiência financeira, em vez de ser apenas uma despesa.
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