- Cinco ameaças externas concentram o medo de CEOs globais: geopolítica (76%), volatilidade macroeconômica (63%), cibersegurança (58%), mudanças regulatórias (50%) e restrições de talento (47%).
- A geopolítica virou prioridade na gestão, impactando operações e decisões mesmo em empresas após crises como pandemia, guerra na Ucrânia e tensões entre EUA e China.
- A volatilidade macro preocupa por tornar difícil planejar com juros, câmbio e inflação movendo-se ao mesmo tempo na direção errada.
- A cibersegurança é tema central, especialmente por riscos na cadeia de suprimentos e ataques em terceiros, não apenas na própria empresa.
- Mudanças regulatórias são rápidas e complexas no Brasil; regularização exige estrutura jurídica, contábil e operacional para absorver impactos.
- O tema de talento aparece como fator crítico: há escassez de profissionais com combinação certa de técnica, adaptação e alinhamento com a operação.
- O entendimento-chave é que os cinco medos são externos, de difícil controle direto, exigindo antecipação e adaptação contínuas, não reatividade.
A geopolítica é a principal preocupação de CEOs, segundo estudo da BCG. Setenta e seis por cento dos entrevistados citam o tema como ameaça externa prioritária, seguida pela volatilidade macroeconômica (63%) e cibersegurança (58%).
Quaisquer que sejam os setores, as empresas sentem o impacto. A geopolítica entrou na pauta de gestão, antes associada a governos. Hoje, crises e tensões internacionais afetam cadeias de suprimento, preços de energia e insumos.
A terceira maior preocupação é a cibersegurança. Em especial para médias e grandes empresas, o risco vem da cadeia de suprimentos, não apenas do sistema interno. Ataques a fornecedores podem paralisar entregas e operações.
Mudanças regulatórias aparecem em quarto lugar, com metade dos CEOs analisando o tema como ameaça. No Brasil, velocidade e complexidade de regras exigem sistemas jurídicos, contábeis e operacionais capazes de absorver mudanças sem rupturas.
A quinta preocupação é a escassez de talento, citada por 47% dos líderes. A dificuldade não é apenas de encontrar pessoas, mas de alinhar capacidades técnicas, adaptação e cultura às necessidades de cada empresa.
O estudo aponta um ponto-chave: todas as ameaças são externas e difíceis de controlar. O que diferencia líderes é a capacidade de mapear cenários e agir antes de crise se instaurar, fortalecendo a tomada de decisão com dados.
Para as companhias brasileiras, dois aspectos são diretamente endereçáveis: cibersegurança e talento. Os demais requerem postura adaptativa e planejamento de longo prazo, não contenção de risco imediato.
A leitura central do relatório é que a incerteza pode ser gerida com antecedência. Empresas que investem em arquitetura de cenários transformam incerteza em informações acionáveis, reduzindo a distância entre risco e resposta.
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