- A SuperVia encerrou oficialmente as operações como concessionária de trens na Região Metropolitana do Rio nesta sexta-feira (29); a gestão passa a ser da Nova Via Mobilidade a partir de sábado (30).
- O consórcio Nova Via Magna assume o serviço após período de operação assistida, em leilão judicial ligado ao processo de recuperação judicial da SuperVia; não tem relação com a operadora ViaMobilidade de São Paulo.
- O novo contrato é de Permissão, com duração inicial de cinco anos, e prevê participação maior do governo estadual na gestão, além de investimento superior a R$ 600 milhões para recuperação gradual da ferrovia.
- A remuneração da Nova Via passa a ser por quilômetro rodado, buscando maior previsibilidade financeira e foco na qualidade do serviço.
- A SuperVia enfrentou queda de demanda e problemas operacionais nos últimos anos, incluindo dívidas de cerca de R$ 1,2 bilhão, multas superiores a R$ 20 milhões e crescimento de vandalismo, com 1.241 casos nos primeiros quatro meses de 2024.
A SuperVia encerrou oficialmente suas atividades como concessionária de trem na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O fim ocorreu nesta sexta-feira 29, após quase 30 anos de operação iniciada em 1º de novembro de 1998. A transição formal ocorre a partir deste sábado 30.
A concessionária era responsável por 270 quilômetros de linhas, com cinco ramais, três extensões e 104 estações, conectando o Rio a 11 cidades da Baixada Fluminense e região. O processo de mudança integra um acordo judicial relacionado à recuperação financeira da empresa.
A partir de amanhã, o serviço passa a ser operado pelo consórcio Nova Via Mobilidade, em transição assistida com a antiga operadora. O novo grupo não guarda relação com a ViaMobilidade de São Paulo, segundo a Setram.
Nova Via Mobilidade assume
Segundo a Setram, o modelo passa a funcionar por Contrato de Permissão com vigência inicial de cinco anos. O governo estadual terá participação maior na gestão do sistema. A previsão é de investimento superior a R$ 600 milhões nesse período para a recuperação da ferrovia.
A troca de controle foi formalizada em leilão judicial ligado ao processo de recuperação judicial da SuperVia. O consórcio vencedor é formado pelos fundos Nova Via e Magna, que ofertaram desconto mínimo sobre a tarifa referencial.
A remuneração da Nova Via passa a depender do quilômetro rodado, em vez de ser calculada apenas pela quantidade de passageiros. A mudança busca maior previsibilidade financeira e foco na qualidade do serviço, reduzindo pedidos de reequilíbrio.
Contexto histórico e impactos
A SuperVia esteve sob controle de um grupo japonês desde 2019 e chegou a registrar dívidas próximas a R$ 1,2 bilhão, levando à recuperação judicial em junho de 2021. O transporte atingiu recordes, como 735 mil usuários em um dia de Jogos Olímpicos.
Antes da pandemia, o sistema movia cerca de 600 mil passageiros por dia; durante as restrições caiu para 190 mil e, recentemente, estabilizou-se em aproximadamente 300 mil. Atingiu altos índices de vandalismo nos primeiros meses de 2024.
A Agetransp aplicou mais de R$ 20 milhões em multas à concessionária por metas de qualidade, superlotação e aumento no tempo de viagem. Em 2024, ocorreram 1.241 casos de vandalismo nos trens, estudo pela própria empresa aponta.
A SuperVia agradeceu clientes e parceiros em comunicado oficial sobre o fim de suas operações. As informações são da Agência Brasil, com supervisão de Carolina Figueiredo.
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