- O Ibovespa fechou maio com queda de 7,22%, a maior perda mensal desde fevereiro de 2023, afastando-se da marca de 200 mil pontos atingida em abril.
- O saldo externo da bolsa ficou negativo em quatorze bilhões e cento e um milhões de reais até o dia 27 de maio, excluindo IPOs e follow-ons.
- Estrategistas apontam rotação de capital para ações de tecnologia no exterior e perspectiva de cortes da Selic mais lenta, com incertezas sobre o cenário político brasileiro.
- O ambiente externo com ganhos em Wall Street contrasta com desempenho fraco em mercados emergentes, enquanto fatores geopolíticos ajudam a manter a cautela.
- A leitura de curto prazo aponta tendência de baixa e necessidade de romper próximo a 179.500 pontos para reversão, com avaliações de que o risco Brasil segue pressionando o humor dos investidores.
O Ibovespa fechou maio com a maior queda mensal em mais de três anos, recuando 7,22%. O mau desempenho ocorreu após uma sequência de baixas que afastou o índice da casa dos 200 mil pontos, testada em abril.
O saldo de capital externo na bolsa ficou negativo em cerca de 14,1 bilhões de reais até o dia 27 de maio, excluindo ofertas de ações. Essa saída de investidores pesou sobre o desempenho do mercado.
Analistas apontam que a apresentação de capitais volta a fluxos para ações de tecnologia, especialmente nos EUA e na Ásia, enquanto os índices Wall Street mantiveram recordes nos últimos dias.
Contexto externo
O cenário externo também colaborou para o movimento, com a percepção de ciclos de cortes de juros nos EUA divergindo da inclinação local. Isso, unido à incerteza gerada pelo ambiente político doméstico, manteve a poupança de risco elevada.
Segundo Bruna Sene, analista da Rico, o interesse por IA impulsionou as Bolsas americanas, contrastando com a fraqueza observada em mercados emergentes. A especialista ressalta que o cenário externo[-]e interno[-] influenciou o humor dos investidores.
Para a Veedha Investimentos, o risco Brasil e a saída de estrangeiros ditaram o ritmo do mercado nas últimas semanas. O relatório indica que as condições de juros altos e o cenário fiscal fragilizado corroem a atratividade de ativos brasileiros.
Perspectivas de cenário
Especialistas destacam o peso da incerteza política diante das eleições de outubro. O ambiente tributário e fiscal também tende a influenciar a percepção de risco, limitando a recuperação do Ibovespa no curto prazo.
Para Cesar Queiroz, da Queiroz Investimentos, o Brasil passa a enfrentar um rigido escrutínio externo após a classificação de organizações criminosas como terroristas, o que eleva a pressão regulatória sobre bancos, fintechs e players com atuação internacional.
Bancos e empresas ligadas a operações globais devem enfrentar maior rigor de compliance e fiscalização sobre a origem de capital, segundo analistas ouvidos. A avaliação é de que o mercado internacional adota postura cautelosa em relação ao país.
Relatório do Itaú BBA aponta que o Ibovespa segue em tendência de baixa no curto prazo, com maior chance de realização de lucros se ficar abaixo de 173.500 pontos. Para reverter o cenário, o índice precisaria superar a região de 179.500 pontos.
No fronto de instituições, o UBS revisou a visão de ações brasileiras de atrativas para neutras, destacando que o ambiente de risco-retorno continua desfavorável diante da eleição, do aperto monetário menos intenso e do avanço do ajuste fiscal.
A XP divulgou pesquisa de assessores e consultores indicando que a renda fixa continua entre as preferências dos clientes, seguida de ativos internacionais, com a instabilidade política e as eleições como grandes preocupações.
Fonte: informações de Reuters.
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