- O consumo mundial de vinho caiu ao menor nível em mais de sessenta anos, com pressão econômica, mudanças nos hábitos e excedente global influenciando o mercado.
- Mesmo com a queda total, vinhos premium demonstram maior resiliência, já que compradores passam a valorizar origem, autenticidade, sustentabilidade e storytelling.
- A África do Sul tem indicado uma tendência de premiumização, enfrentando pressão de preços por excesso de oferta europeia e queda de exportações em torno de oito por cento nos últimos anos, especialmente em categorias de volume.
- Na Steenberg Vineyards, a abordagem valoriza terroir e narrativas: Sauvignon Blanc em três expressões distintas, Merlot replantado em áreas mais quentes e o Blanc 2024 da Canvas Collection, com envelhecimento em carvalho e blocos de colheita separados.
- Certificações de origem e produção (Wine of Origin e Produção Integrada de Vinho) ganham importância para rastreabilidade, identidade regional e posicionamento internacional no segmento premium.
O mercado mundial de vinhos recuou pela primeira vez em mais de 60 anos, pressionando a indústria por meio de custos, hábitos de consumo e excesso de oferta. Em resposta, produtores direcionam esforços para a qualidade, autenticidade e origem.
A África do Sul aparece entre os exemplos que migraram do volume para o valor. O foco passou a ser premium, com ênfase em provenance, sustentabilidade e história por trás do vinho. A visão é capturar valor em mercados exportadores exigentes.
Carryn Wiltshire, gerente de marketing da Steenberg Vineyards, afirma que houve uma mudança clara para premiumização tanto no mercado interno quanto externo, à medida que consumidores se tornam mais seletivos sobre qualidade e experiência.
Proveniência e narrativa
A pressão de preço decorrente da oferta global abundante, principalmente europeia, contribuiu para queda de cerca de 8% nas exportações sul-africanas nos últimos anos, segundo Wiltshire. O recorte de impacto permanece maior em volumes de lote e faixas de preço mais baixas.
O recorte tem relação direta com a demanda de consumidores jovens. Millennials e Gen Z buscam menos consumo, mas valorizam narrativas, sustentabilidade e autenticidade. O público mais jovem quer conexão com pessoas, lugar e filosofia do vinho.
No portfólio da Steenberg, a Sauvignon Blanc continua a definir a identidade da vinícola. Blocks distintos do vinhedo geram três expressões com exposições, solos e tratamentos de adega diferentes.
Cada parcela é avaliada individualmente para maximizar sabor e manter a singularidade do local, segundo Wiltshire. O Black Swan Sauvignon Blanc vem de blocos selecionados por condições de frio e maturação lenta.
O Blanc 2024, da Canvas Collection, adota uma abordagem mais experimental, com amadurecimento em carvalho francês e blends de blocos para criar expressão mais estruturada, mantendo a frescura de Constantia.
Identidade regional e certificações
A Steenberg aplica a mesma lógica de terroir ao Merlot, com blocos replantados em áreas mais quentes para melhor adaptação à variedade. As decisões de vinificação seguem um estilo contido, centrado no terroir.
Wiltshire sublinha a importância das certificações Wine of Origin (WO) e IPW, criadas para ampliar rastreabilidade, sustentabilidade e identidade regional. A regionalidade ajuda a entender o que torna um vinho único.
A indústria reconhece que a premiumização traz oportunidades, mas ainda enfrenta desafios de percepção. O comércio tradicional valoriza volume e preço, dificultando o reposicionamento de marcas.
Perspectivas para o setor
Para Wiltshire, o setor tem terroir, herança e talento para produzir vinhos excepcionais, mas exige mensagens consistentes e confiança na qualidade. Reconhecimento internacional, storytelling sólido e identidade regional ajudam a reposicionar a produção sul-africana entre regiões premium.
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