- Em abril, a China exportou menos de um quilo de germânio para a Alemanha e apenas três quilos de gálio, destinados à Malásia; outros países ficaram sem itens, mostrando o poder chinês sobre minerais críticos.
- Germânio e gálio são vitais para fibra óptica, visão noturna, painéis solares, 5G e carregadores rápidos; a falta ameaça cadeias de produção de tecnologia de ponta.
- A Basf investiu quase nove bilhões de euros numa fábrica em Zhanjiang, na China, aumentando a dependência de insumos chineses para a produção de químicos industriais.
- Economistas alemães destacam que a dependência externa veio acompanhada do aumento da pressão chinesa e de uma sinalização de que a Alemanha está desativando parte de sua autonomia industrial.
- Relatos indicam que a China pode ampliar sua vantagem com planos quinquenais e investimentos em computação quântica, IA, robótica e produção de chips, o que intensifica a exposição europeia à economia chinesa.
A China está aumentando sua influência sobre a indústria alemã, que depende cada vez mais do mercado chinês enquanto enfrenta concorrência de países asiáticos. Economistas indicam que a complacência alemã nas últimas décadas está cobrando seu preço. Em abril, a China exportou menos de um quilo de germânio para a Alemanha e apenas três quilos de gálio, para a Malásia. Outros destinos ficaram sem fornecimento, segundo dados alfandegários chineses. Esses metais são vitais para equipamentos de ponta.
Sem germânio, as transmissões de fibra óptica ficam afetadas e a visão noturna de dispositivos fica prejudicada. Sem compostos de gálio, a internet 5G de alta velocidade e leitores de código de barras podem sofrer falhas. O gerente-executivo da Tradium, empresa alemã de minerais críticos, aponta que a situação é preocupante para a cadeia de suprimentos alemã. A ministra da Economia e Energia da Alemanha, Katherina Reiche, defendeu em maio uma concorrência justa e abastecimento confiável de minerais críticos.
Mesmo com a responsabilidade de proteger a cadeia de suprimentos, a Alemanha enfrenta resistência no bloco europeu. A União Europeia não apresenta esforço unificado suficiente em relação à China, e a própria Alemanha evita pressões mais duras por receio de retaliação contra unidades nacionais.
Produção na China para a China
O caso da Basf ilustra o grau de envolvimento alemão na China. A Basf inaugurou, em março, uma fábrica em Zhanjiang, no sul da China, com investimento próximo de 9 bilhões de euros. A planta fabrica químicos para automotiva e plásticos voltados ao mercado chinês. No entanto, a Basf mantém operação significativa na Alemanha, onde o encerramento de energia russa desde 2022 levou a cortes de empregos e redução produtiva.
Essa dependência implica que a Basf possa depender de decisões de política energética chinesa para manter o fornecimento. Em relatório de segurança nacional dos Estados Unidos, a dependência externa da Europa, especialmente da Alemanha, é destacada como consequência da Guerra na Ucrânia, com a produção de plantas químicas chinesas avançando na China.
Mudança de papel na relação comercial
A presença alemã na China aumentou a capacidade de produção de capacidade excedente chinesa. A política chinesa de “Dupla Circulação”, adotada em 2020, busca reduzir a dependência de importações, fortalecendo a indústria doméstica e a exportação. Economistas destacam que a China avançou de fornecedora para líder global em setores estratégicos, exemplo que surpreendeu parte da Alemanha.
De acordo com consultores alemães, a percepção da China mudou ao longo de décadas: o país foi visto como parceiro de aprendizado, com joint ventures que transferiam tecnologia. Hoje, esse ecossistema é interpretado como uma vantagem competitiva robusta para a China, especialmente no setor automotivo e tecnológico.
O alerta de especialistas
Relatórios recentes destacam que a Alemanha sofreu um choque de complacência ao longo de anos, com o país menos preparado para a competição chinesa em áreas de ponta. Planos quinquenais chineses já indicavam o caminho para mobilidade elétrica e tecnologia avançada, o que, segundo analistas, ajudou a moldar a capacidade competitiva da China. O estudo indica que a Alemanha ainda hesita em adotar estratégias mais firmes, frente a uma China que avança na produção global até 2030.
Entre na conversa da comunidade