- Setenta e sete por cento das operações B2B no Brasil são realizadas a prazo; na prática, cerca de cinquenta e um vírgula dois por cento do total de documentos emitidos foram liquidados em mais de quinze dias.
- A previsibilidade do fluxo de caixa virou componente-chave para avaliação de risco, igualando-se à inadimplência na definição de risco financeiro.
- Em janeiro de dois mil e vinte e cinco, o número de companhias inadimplentes chegou a sete milhões, representando trinta e um vírgula quatro por cento do total de empresas no país, com juros elevados elevando custos de crédito.
- A duplicata escritural passa a ganhar relevância ao ampliar a rastreabilidade dos recebíveis, vinculando obrigações à nota fiscal e registrando operações em sistemas autorizados.
- A digitalização e a integração via APIs permitem análise em tempo real do comportamento financeiro na cadeia produtiva, ajudando instituições a tomar decisões de crédito mais precisas e reduzir incertezas.
O mercado de crédito corporativo passa por uma mudança profunda: a imprevisibilidade do fluxo de caixa ganha peso na avaliação de risco, igualando-se à inadimplência. Empresas em cadeias produtivas veem a dinâmica de caixa afetar liquidez, capital de giro e custo financeiro.
A mudança não depende apenas de balanços. Analistas observam a geração real de caixa ao longo das operações, levando em conta relações entre fornecedores, compradores e parceiros. A previsibilidade do fluxo de caixa passa a conviver com indicadores tradicionais na definição de risco.
Pesquisas recentes mostram que 77% das operações B2B no Brasil são realizadas a prazo, e 51,2% do volume de boletos e duplicatas é liquidado após 15 dias. Atrasos recorrentes elevam a incerteza sobre recebíveis concentrados em poucos clientes, aumentando fragilidades.
Dados sobre inadimplência indicam cenário de juros elevados e maior custo de crédito. Em janeiro de 2025, 7,1 milhões de empresas estavam inadimplentes, correspondendo a 31,4% do total. A tendência pressiona demanda por crédito e pode reduzir receita.
Para Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, modelos tradicionais não acompanham a dinâmica atual. Segundo ele, a análise estática não captura a transação real na cadeia de suprimentos, exigindo avaliação do timing de recebimento.
A duplicata escritural surge como ferramenta de rastreabilidade, associando a obrigação à nota fiscal e registrando operações em sistemas autorizados. Esse vínculo facilita o acompanhamento de vencimentos, liquidações e histórico de pagamentos.
Com dados padronizados, instituições financeiras conseguem avaliar melhor o comportamento transacional e reduzir incertezas na concessão de crédito. O modelo também reduz inconsistências operacionais e fraudes, ampliando a visibilidade do fluxo financeiro.
Silva reforça que a leitura em tempo real da capacidade financeira de cada elo da cadeia melhora a eficiência da avaliação de risco, orientando decisões sobre investimento, estoques e capital de giro.
A digitalização e a integração via APIs ampliam a análise contínua de dados. Plataformas deixam de ser apenas transportadoras de informações e passam a usar inteligência para entender o comportamento financeiro das empresas e suas relações na cadeia produtiva.
A Nexxera aposta na integração de dados e na análise contínua para redefinir a lógica do risco de crédito, alinhando-a à realidade brasileira. Dados precisos sustentam a transformação e promovem crédito baseado em comportamento, previsibilidade de caixa e monitoramento de cadeias de negócios.
Ao aumentar o volume de operações digitais e transações a prazo, o mercado tende a migrar para modelos de crédito mais previsíveis, com menor risco e acesso ampliado ao capital. A atualização busca reduzir taxas de juros e ampliar financiamento para empresas.
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