- O crédito privado movimenta mais de US$ 2,3 trilhões e captou US$ 224 bilhões globalmente em 2025, segundo a S&P Global Market Intelligence.
- Alexander Pelteshki, gestor da Aegon Asset Management, afirma que a IA vai afetar o setor de software e expor riscos que estavam subestimados pelos investidores.
- Não é uma ruptura sistêmica, mas haverá perdas em empresas de software com endividamento elevado; é o primeiro teste da estrutura do crédito privado.
- Investidores devem exigir maior compensação pela iliquidez e pela precificação do risco de crédito; a ocorrência de defaults não implica recessão global.
- As taxas de juros devem permanecer elevadas por muitos tempos, impulsionadas principalmente por gastos fiscais que mantêm a inflação acima das metas em mercados desenvolvidos.
O crédito privado enfrenta um teste inédito, segundo Alexander Pelteshki, gestor da Aegon Asset Management. Mesmo com ganhos globais de mais de US$ 2,3 trilhões, a indústria pode sinalizar fragilidades por efeito da IA no setor de software.
Pelteshki afirma que a valorização da IA pressiona empresas endividadas de software, expondo riscos antes subestimados por investidores. Segundo ele, o crédito privado foi vendido como de baixa volatilidade, alto retorno e baixo risco, o que não corresponde à prática diária de precificação.
Ele aponta que o setor vive ainda um estágio de transição, com perdas concentradas em empresas que se endividaram demais. O gestor ressalta que não há perspectiva de crise sistêmica, mas sim um ajuste na compensação oferecida aos empréstimos a empresas de crédito privado.
Cenário de mercado e impactos na política monetária
A perspectiva é de juros elevados por mais tempo, com possível alta adicional em economias desenvolvidas. O fator fiscal e choques de preço de energia ajudam a sustentar a inflação, mantendo o aperto monetário.
Pelteshki destaca que o mercado deve aguardar maior exigência de retorno para empréstimos de crédito privado, sobretudo em carteiras com participação relevante de software. Algumas empresas de software podem, ao contrário, ganhar espaço com IA.
Ele não enxerga recessão global, mas lembra que gastos fiscais sustentam inflação. A tendência é de juros altos, refletindo déficits fiscais contínuos em várias regiões, incluindo economias desenvolvidas e emergentes.
Implicações para investidores e direção futura
Segundo o gestor, não há sinal de que o crédito privado colapse, mas ocorre realinhamento de premissas de risco e preço. Investidores devem considerar maior avaliação de crédito e liquidez, com exposição controlada a software.
Pelteshki aponta que setores menos conectados a software podem compensar vulnerabilidades, enquanto empresas que se adaptarem à IA podem se beneficiar. O ganho de maturidade do mercado depende da capacidade de precificar riscos com precisão.
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