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Kiwi rende mais que a vinha no Bordeaux em crise, diversificação difícil

Na Bordeaux, vinícolas reduzem área de uva e apostam na diversificação, com kiwis e ovos, para enfrentar queda de consumo e crise do setor

La diversification est en marche dans le vignoble bordelais.
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  • A crise de consumo de vinho atinge o Bordeaux, com queda nas vendas desde 2018 e redução de áreas plantadas para 86 mil hectares.
  • Vinticultores começam a diversificar atividades, incluindo a instalação de kiwis; o Château l’Insoumise planeja um hectare de kiwi, apesar do investimento elevado.
  • O kiwi é visto como mais rentável do que a vinha e pode abrir um mercado na França, diante da queda de demanda e de exportações para vinhos.
  • Outros produtores investem em atividades além da vinha, como criação de galinhas e venda direta de ovos, além de azeite, para compensar a perda de receita.
  • A diversificação exige avaliação de sols e disponibilidade de água, além de formação e apoio financeiro; já foram aprovados 45 projetos de diversificação com 1,4 milhão de euros, com incentivos de arrachage de até seis mil euros por hectare.

A crise de deconsumo de vinho atinge fortemente o Bordéus, o maior vinhedo AOC da França. Varejo reduzido, exportação em marcha devagar e arrefecimento de estoques empurram os viticultores a buscar novas fontes de renda. A diversificação aparece como saída viável.

No Château l’Insoumise, em Saint-André-de-Cubzac, a viticultora Cécile de Taffin planeja cultivar kiwi em parte das terras. O casal negocia reduzir o vinhedo de 25 para 17 hectares e apostar em atividades paralelas; neste ano, iniciam com um hectare de kiwi devido à necessidade de liquidez.

O cenário do Bordéus é de crise profunda, com queda de consumo de vinhos, sobretudo tintos, e dificuldades para escoar estoques. Desde 2023, mais de 20 mil hectares de vinhedos foram arrancados, levando a área total a 86 mil hectares, a mais baixa desde 1986.

Diversificação como única condição de sobrevivência

A diversificação é defendida pela chambre d’agriculture local, diante do risco de colapso estrutural. Na região Entre-deux-Mers, Fabien Bougès transformou a exploração com 700 aves poedeiras, gerando parte da receita para compensar a perda de faturamento do vinho.

O produtor aponta que o modelo 100% vine não resiste, citando margens da grande distribuição entre 40% e 80%. A tendência atual inclui venda direta de ovos e de azeite de oliveira cultivada na propriedade, para raffinar o portfólio de produtos.

Outro caso é de Olivier Reumaux, que há décadas combina viticultura com cultivo de hortaliças. Localizado em Camblanes-et-Meynac, ele já soma 50% do faturamento em venda direta de vegetais e planeja ampliar para frutos vermelhos, explorando a resiliência de uma produção diversificada.

Géraud Peylet, da assistência à diversificação na chambre, lembra que a qualidade do solo e a disponibilidade de água variam na Gironda. Não existe fórmula única e é necessário apoio técnico e financeiro para a transição, sem pressa de resultados imediatos.

Apoios públicos ajudam na transição: arrefecimento de custos com arrachage e extensão de recursos de até 6 mil euros por hectare. A região já acompanhou dezenas de projetos, com investimentos próximos de 1,4 milhão de euros para diversificação na Nouvelle-Aquitaine.

A tendência, segundo especialistas, depende de planejamento coletivo e acompanhamento técnico, e não de iniciativas isoladas. A Bordéus registra uma transformação agrícola que deve se estender por anos, com novos modelos de negócio para o campo.

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