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Turismo em Bordeaux resignifica castelos diante da queda do consumo de vinho

Com a queda de consumo de vinho, vinícolas de Bordeaux diversificam com enoturismo e atividades como passeios, alojamento e eventos para atrair visitantes

À Bordeaux, l’œnotourisme est devenu une nécessité.
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  • Em Bordeaux, muitos vitivinicultores estão diversificando para o enoturismo diante da queda na atividade de produção de vinho.
  • Exemplos incluem o Domaine Baudon, em Montagne-Saint-Émilion, que oferece demonstração de tração com o cavalo Jupiter e atividades como gîte na fazenda, passeios de bicicleta com piquenique e degustações de vinho com chocolate.
  • A filière enotourisme é vista como crescimento, mas não solução única, já que o setor enfrenta queda de consumo e necessidade de adaptar-se a uma nova clientela em busca de experiências.
  • Dados apontam que cerca de doze milhões de enoturistas visitaram vinhedos franceses em dois mil e vinte três, com metade de origem estrangeira; na região, a Nouvelle‑Aquitaine recebeu aproximadamente dois milhões e meio de visitas.
  • A Cité du Vin, em Bordeaux, manteve a fréquentação (trezentos e noventa mil visitantes em dois mil e vinte cinco), enquanto especialistas destacam que o enoturismo pode gerar retorno, mas exige investimento e profissionalização para atender às expectativas.

O enoturismo ganha espaço entre os produtores de Bordeaux diante da queda de consumo de vinho. Degustações tradicionais seguem, mas há diversificação com atividades como passeios, escape games e eventos culturais. A tendência é observada em vários châteaux da região.

No Domaine Baudon, em Montagne-Saint-Émilion, o destaque é o trabalho com o percheron Jupiter para desásser entre as vinhas. O casal de viticultores orgânicos também oferece gîte, passeios de bicicleta com piquenique e degustações que combinam vinho e chocolate. O objetivo é atrair turistas.

Aumento do interesse ocorre mesmo diante de dados que apontam queda na demanda de vinho em nível nacional, com redução anual de 1,5% segundo o Agreste. Ainda assim, o setor registra crescimento do turismo vínico como um movimento paralelo. Em 2023, cerca de 12 milhões de enoturistas visitaram vinhedos franceses, metade de origem estrangeira.

O que está em jogo

Especialistas apontam que Bordeaux se tornou um espaço de vida e experiência, não apenas de bebida. Segundo a consultoria Bloom, eventos como escape rooms, cinema, shows e hospedagens inusitadas aparecem como parte da oferta. A Cité du Vin destaca a manutenção da frequência, com 390 mil visitantes previstos para 2025, metade estrangeira.

Para o setor, a estratégia busca novos consumidores e narrativas. O objetivo é atrair público com propostas diferentes do tradicional circuito de degustação, sem abandonar a qualidade da experiência oferecida. O desafio é manter a exigência do visitante e justificar o investimento.

Mesmo com o avanço, a enoturismo não aparece como solução única para a crise do atual cenário vitivinícola. O diretor de turismo da região ressalta que o setor funciona como resiliência e diversificação, somando ao produto vinho outras atrações que atraiam visitantes.

Perspectivas e limitações

Estudos indicam que 84% das visitas geram uma compra, mas os custos de implantação são elevados. A orientação é profissionalizar a oferta e alinhar as expectativas do visitante com a experiência proporcionada. A participação de Bordeaux no turismo europeu depende de manter padrão e inovação.

Especialistas destacam que quem souber vender experiência, associando dados de cliente e presença on-line, tende a se destacar. O vinho continua a ser referência mundial, mas o turismo ligado às vinhas pode ampliar o alcance estratégico da região.

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