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Agronegócio brasileiro deve sentir menor impacto com novas tarifas

Agronegócio brasileiro evita maior impacto das novas tarifas, mas café e carne perdem espaço para concorrentes, mantendo dependência e déficit com os EUA

Carne empacotada em supermercado de Chicago, nos Estados Unidos
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  • Donald Trump retirou da lista de tarifas os produtos agrícolas que mais pressionavam a inflação, aliviando parte do impacto para o agronegócio brasileiro.
  • Mesmo com a retirada, as tarifas de 2025 influenciaram a relação comercial Brasil–Estados Unidos, levando o Brasil a perder espaço para outros mercados devido ao custo elevado dos produtos.
  • O café rendeu US$ 785 milhões nos três primeiros meses de 2025, caiu para US$ 532 milhões neste ano, com a Colômbia ganhando participação frente ao Brasil.
  • Na carne, o Brasil ampliou exportações para os EUA em 36% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, totalizando cerca de 120 mil toneladas; a Abiec aponta até abril um volume de 150 mil toneladas.
  • O déficit da balança do agronegócio americano deve chegar a US$ 29 bilhões neste ano fiscal, com US$ 5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, influenciado também por custos elevados de fertilizantes, óleo e gasolina.

O agronegócio brasileiro deve lidar com menos impacto nas novas tarifas anunciadas por Donald Trump, em comparação com o ano anterior. Após mudanças em 2025 que pesaram sobre os preços, o peso tarifário foi reduzido para diversos produtos agrícolas. A decisão busca evitar pressões adicionais sobre a inflação nos EUA.

Apesar da retirada de parte dos itens da lista, a relação comercial Brasil–Estados Unidos continua sendo influenciada por custos elevados. Os americanos migraram para outros fornecedores, elevando a competição e dificultando a recuperação de mercados perdidos pelo Brasil.

No conjunto, o café figura entre os itens com maior relevância na balança brasileira. Nos três primeiros meses de 2025, as exportações tiveram valor próximo de US$ 785 milhões; neste ano, houve recuo para US$ 532 milhões. Em janeiro-março de 2024, a Colômbia já havia ficado atrás, mas neste ano ultrapassa o Brasil em 46%.

Dados do Usda indicam que países como Honduras, Guatemala e a Alemanha ganharam espaço no mercado norte-americano de café neste início de 2026, com alta expressiva nas exportações. O Brasil, apesar de avanços, enfrenta perda de participação relativa.

Na linha de carnes, a Austrália retomou a liderança das vendas aos EUA, enquanto o Brasil ampliou suas exportações em 36% no primeiro trimestre de 2026 ante 2025. O total chega a 120 mil toneladas, com projeção de 150 mil toneladas até abril, segundo a Abiec e números oficiais.

O governo americano manteve isenções para boa parte dos produtos brasileiros, reconhecendo a importância do Brasil como fornecedor. Ainda assim, o custo de alguns itens seguiu elevado, impactando o poder de compra dos consumidores nos EUA, especialmente para café em pó e solúvel, que apresentaram altas de 18,5% e 23% nos 12 meses encerrados em abril.

No setor de carnes, a dependência de importações tende a permanecer elevada, em função de recuos no rebanho dos EUA. Em 2025, os gastos com importações totais somaram US$ 14 bilhões, cerca de 30% a mais que o ano anterior, com variações de acordo com o corte.

Além das tarifas, fatores geopolíticos contribuíram para o aumento de custos na produção de alimentos, como a guerra no Oriente Médio, que elevou o preço de fertilizantes, óleo combustível e gasolina. Esses gastos impactam diretamente a formação de preços ao consumidor.

Estimativas indicam um déficit de US$ 29 bilhões na balança do agronegócio dos EUA neste ano fiscal, menor que os US$ 44 bilhões do anterior. O déficit do primeiro trimestre de 2026 já soma US$ 5 bilhões, sinalizando cenário de contenção, mas com volatilidade externa elevada.

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