- O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, em resposta a práticas comerciais consideradas injustas na seção 301.
- A Abiplast critica a diplomacia brasileira, afirmando que o Brasil “empurrou com a barriga” e que outros players negociaram de forma mais proativa.
- Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a possível tarifa impactaria setores como máquinas, equipamentos e plásticos, podendo atingir cerca de 21% das exportações brasileiras aos EUA.
- O setor de plástico é visto como produto acabado, intermediário e insumo, incluindo embalagens, filmes de polipropileno e tanques de tubulação; a Abiplast reúne 14,6 mil empresas e 404,6 mil empregos diretos.
- O governo americano ainda ouvirá representantes do setor privado antes de uma decisão final; o presidente Donald Trump definirá se a sobretaxa será aplicada, com riscos de redução de empregos de qualidade se não houver negociação.
O Brasil foi alvo de uma avaliação norte-americana sob a seção 301, que pode impor tarifas de até 25% sobre uma parte das exportações brasileiras. O processo envolve o USTR, órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos, após uma investigação de um ano.
A associação que representa o setor, a Abiplast, afirma que a diplomacia brasileira deveria ter atuado de forma mais profissional na negociação. O presidente da entidade, José Ricardo Roriz Coelho, critica o ritmo das tratativas e cita que outras economias já avançaram nas conversas.
Segundo informações da Abiplast, o setor de plásticos responde por milhares de empresas e centenas de milhares de empregos diretos no Brasil, sendo um dos maiores entre as atividades da indústria de transformação. A depender da decisão, o impacto pode recair sobre itens acabados, insumos e matérias intermediárias.
O Ministério da Defesa Industrial e Comércio, via Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aponta que a tarifa poderia afetar especialmente máquinas, equipamentos e plásticos. A estimativa é de que cerca de 21% do total das exportações brasileiras para os EUA podem ser atingidas, dependendo da lista final.
A pauta inclui produtos desde embalagens e filmes de polipropileno até componentes de máquinas e tanques, além de itens usados por setores de móveis e couro, conforme dados apresentados pela própria Abiplast. O quadro leva em consideração o peso relativo do plástico na pauta de comércio externo.
O ministro Márcio Elias Rosa sinalizou que a cobrança atingiria um leque significativo de exportações, reforçando a necessidade de proteção a empregos de qualidade. Em meio ao processo, o governo americano deve ouvir representantes do setor privado e avaliar manifestações antes de uma decisão final.
Roriz ressalta que a negociação deveria ter ocorrido com maior celeridade para evitar a pressão de fatores eleitorais e ideológicos que podem comprometer a competitividade brasileira. A conclusão, segundo ele, é que a não intervenção dificultou manter empregos de alto valor agregado na exportação.
O governo dos Estados Unidos ainda não divulgou a decisão final, que dependerá de avaliações técnicas e de manifestações de empresas e entidades do setor. A escolha sobre a aplicação ou não da sobretaxa será conhecida apenas após esse conjunto de informações ser considerado.
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