- Levantamento da Demand Sage aponta que 87% das empresas já usaram IA em ao menos uma etapa da contratação.
- A Amazon Web Services lançou o Connect Talent, software que realiza entrevistas por voz, gera transcrições, atribui notas e ainda está em fase de testes, com avaliação de candidatos 24 horas por dia.
- Um levantamento da Heach Recursos Humanos indica que 71,4% dos profissionais teme serem eliminados de forma injusta por algoritmos.
- A professora Ana Cristina Limongi França, da USP, vê a IA como evolução positiva, mas alerta para riscos e a necessidade de governança, dados de qualidade e compliance.
- O professor Sigmar Malvezzi, da USP, ressalta que a IA avalia de forma lógica, mas a subjetividade humana continua essencial para interpretar comportamentos e potencialidades não captados pela máquina.
O uso de inteligências artificiais em recrutamento é uma tendência crescente, com 87% das empresas globais já adotando IA em ao menos uma etapa. Dados da Demand Sage indicam essa prática, elevando debates sobre isonomia nos processos seletivos.
Além disso, a AWS apresentou o Connect Talent, software que realiza entrevistas por voz, gera transcrições e atribui notas aos candidatos antes da análise humana. O sistema ainda está em fase de testes para validação.
O diferencial do Connect Talent é acelerar contratações, inclusive em datas de alta demanda, com entrevistas disponíveis 24 horas por dia e avaliação simultânea em larga escala. Diversos especialistas destacam benefícios e riscos.
Riscos e benefícios
Para Ana Cristina Limongi França, professora da USP, o uso de IA nos recrutamentos representa uma mudança importante, com evolução positiva, mas acompanhada de novos riscos. Ferramentas devem ser usadas com responsabilidade e validação de dados.
Ela enfatiza que a eficiência não garante eficácia e que traçar marcadores claros permanece essencial. Algumas qualidades, como motivação e potencial, ainda dependem de avaliação humana, não apenas de testes automatizados.
Destaque para a subjetividade
Sigmar Malvezzi, da USP, afirma que a IA avalia aspectos lógicos e compara perfis, mas não captura toda a subjetividade. O ideal é ponderar decisões algorítmicas e valorizar informações que o algoritmo pode deixar de considerar.
Segundo o professor, pessoas podem desenvolver potenciais não previstos, o que exige diálogo entre tecnologia e avaliação humana. A IA atua como ferramenta, enquanto o olhar humano identifica nuances importantes.
O papel humano no processo seletivo, reforça Malvezzi, continua crucial para capturar trajetórias, motivações e contextos que a máquina não alcança. A participação humana, dizem especialistas, é indispensável para equilíbrio entre eficiência e justiça.
Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira
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