- A Deloitte estima que investimentos em sistemas de armazenamento em baterias (BESS) no Brasil podem superar R$ 57 bilhões nos próximos dez anos.
- A Aneel aprovou a regulação inicial do segmento, definindo que a tarifa de uso da rede incide apenas na fase de descarregamento para empreendedores que forem integralmente despachados pelo ONS.
- O Ministério de Minas e Energia assinou portaria com diretrizes para o primeiro leilão de baterias, previsto para dezembro; a demanda deve ficar entre 1,7 GW e até 2,5 GW.
- As baterias visam dar mais flexibilidade ao sistema diante do aumento de geração de energia eólica e solar e do curtailment, com expectativa de melhoria na absorção de energia excedente.
- A Deloitte projeta expansão robusta de renováveis até 2030, com MMGD chegando a 69 GW; reforça a necessidade de regulação de usinas reversíveis e de flexibilidade intradiária.
O Brasil pode viabilizar investimentos acima de R$ 57 bilhões em sistemas de armazenamento em baterias (BESS) nos próximos dez anos. A estimativa é de um estudo da consultoria Deloitte, realizado antes da aprovação da regulação inicial do setor.
Aneel aprovou hoje, 2, a regulação inicial para o segmento, destacando a necessidade de avançar numa agenda regulatória e de desenho de mercado para transformar as projeções em realidade. A definição consolida o caminho regulatório do setor.
A cobrança da tarifa de uso da rede passa a ocorrer apenas na fase de descarregamento das baterias, ou seja, na inserção de energia. O regime evita a dupla cobrança envolvendo o carregamento para empreendedores que optarem por despacho integral pelo ONS. Empreendedores autônomos pagarão geração e consumo.
Primeiro leilão deve ocorrer em dezembro
O Ministério de Minas e Energia assinou portaria com diretrizes para o primeiro leilão de baterias, previsto para dezembro deste ano. A Deloitte aponta que a demanda prevista fica em torno de 1,7 GW, com espaço para até 2,5 GW conforme dados da EPE.
Jovanio Santos, diretor de Power & Utilities da Deloitte, reforça que o leilão não incluirá capacidade para nova tecnologia no sistema. Baterias de larga escala são vistas como ferramenta-chave frente ao aumento de energia eólica e solar.
Santos destaca que o armazenamento permite acumular energia em momentos de baixa demanda e utilização em picos, aumentando a flexibilidade e a confiabilidade do sistema elétrico. Em 2024, a curtailment atingiu em média 18% da geração.
Expansão de renováveis seguirá forte
O relatório projeta continuidade do impulso às renováveis, com foco em solar fotovoltaica, eólica e geração distribuída. A capacidade instalada de micro e minigeração distribuída deve chegar a 69 GW em 2030, representando mais de um quinto da capacidade total.
A demanda de energia deverá crescer de maneira acentuada, com a rampa de carga devendo superar 52 GW até o fim da década, segundo o ONS. Isso exige maior flexibilidade operacional do SIN, incluindo uso intensivo de baterias e usinas reversíveis.
Santos afirma que, além das baterias, é necessário avançar na regulação das usinas reversíveis, para atuar em flexibilidade sazonal e de longo prazo, complementando a função intradiária das baterias.
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