- A proposta da Unidade de Representação Comercial dos EUA (USTR) recomenda tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras, com audiência prevista para 6 de julho e aplicação possível a partir de 15 de julho.
- Estão fora da tarifa produtos estratégicos para os EUA, como café, minérios e commodities energéticas, conforme o texto da proposta.
- O setor industrial reage com cautela: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que tarifas não fortalecem a relação econômica e pede diálogo; o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que contribuições às negociações são bem-vindas; a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alerta que a medida pode reduzir competitividade, investimentos e empregos.
- A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstra preocupação e apoia atuação firme do governo; a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) afirma que, se confirmada, a tarifa elevará custos, diminuirá competitividade e criará obstáculos bilaterais.
- O Itamaraty ressalta espaço para negociações antes da aplicação das tarifas, prevista para o mês que vem, e o governo brasileiro continua buscando reversão ou flexibilização das alíquotas de 25% após quase um ano de negociações.
A proposta do representante comercial dos EUA (USTR) de aplicar tarifas de 25% sobre importações brasileiras foi divulgada na noite de segunda-feira, 1º de julho. A medida, que entraria em vigor caso aprovada, mira ações e políticas brasileiras consideradas relevantes para avaliação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A notícia gerou preocupação entre setores industriais brasileiros.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que tarifas desse porte não fortalecem a relação econômica bilateral e podem gerar impactos negativos nas cadeias produtivas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o momento exige diálogo técnico e que o país está pronto para colaborar nas negociações.
A FIEMG, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, reiterou que a proposta pode afetar de forma significativa a economia local. A entidade apontou menor competitividade, maior incerteza para exportadores e reflexos sobre investimentos, empregos e negócios ligados ao comércio exterior, defendendo atuação firme do governo.
A Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, manifestou preocupação semelhante e pediu resposta rápida do governo para evitar prejuízos às exportações brasileiras. A Amcham Brasil, Câmara Americana de Comércio, indicou que, se confirmada, a medida aumenta custos e barateia a competitividade de empresas brasileiras, dificultando o comércio bilateral.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que empresas esperam que os governos brasileiro e americano intensifiquem os esforços para encontrar uma solução que trate das questões em discussão. Diversas entidades defendem diálogo diplomático com foco em evitar impactos econômicos adversos.
Proposta e impactos potenciais
A proposta aponta políticas e práticas brasileiras que seriam passíveis de medidas legais e de investigação pela Seção 301. Entre os itens citados estão o Pix, acordos de comércio preferenciais, etanol e questões ambientais como desmatamento.
Uma audiência sobre o tema está marcada para 6 de julho, com prazo para aplicação de medidas corretivas em 15 de julho. Caso as tarifas sejam implementadas, elas abririam exceções para alguns produtos considerados estratégicos para o mercado americano, como café, minérios e commodities energéticas.
Posição brasileira e próximos passos
O Itamaraty informa que ainda há espaço para negociações antes da aplicação das tarifas, prevista para o mês seguinte. Mesmo com a possibilidade de aplicação, a liderança brasileira mantém a expectativa de reversão ou flexibilização das taxas de 25%.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, não estima queda acentuada na competitividade brasileira diante de um cenário de sanção ampliada a outros países, citando que muitos potentes parceiros europeus e asiáticos também enfrentariam investigações.
O cenário indica que o tema deve permanecer em agenda diplomática nas próximas semanas, com expectativa de desdobramentos sobre negociações bilaterais, impactos setoriais e estratégias de proteção às exportações nacionais.
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