- Nos EUA, o Escritório de Comércio (USTR) propõe tarifas lineares de 25% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, com extensa lista de exceções; o relatório preliminar tem pouco mais de cem páginas, com cerca de setenta dedicadas às exceções, divulgado nesta terça-feira (2).
- O tarifaço seria respaldado pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974, exigindo audiências públicas, com entrada em vigor prevista após o encerramento do rito até 15 de julho.
- Produtos sensíveis ao consumidor norte-americano, como carnes, café, frutas, sucos e aviões, aparecem entre os itens impactados pela sobretaxação.
- Em 2024 as exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram cerca de 20% em relação ao ano anterior, mas houve redirecionamento para Chile, Argentina, México e China; em 2025, a queda total chegou a menos de 7%, com participação brasileira nas importações americanas caindo de 12% para 10%.
- A notícia é encarada como uso de pauta comercial para fins políticos, com críticas às alegações contra o Brasil, incluindo questões de desmatamento, censura a bigtechs e o sistema de pagamentos Pix; o governo Lula tem anunciado avanços no combate ao desmatamento.
O governo dos EUA, por meio do escritório de Comércio (USTR), apresentou um relatório preliminar sob a Lei de Comércio de 1974 que aponta práticas brasileiras consideradas desleais. O documento sugere nova sobretaxa sobre exportações do Brasil para os EUA, com base em alegações políticas. A divulgação ocorreu na terça-feira, 2, nos Estados Unidos.
A proposta prevê uma sobretaxa linear de 25% sobre várias exportações brasileiras para o mercado americano. O relatório traz exceções e isenções em uma extensa lista, que ocupa parte relevante do material divulgado.
A lista de itens sensíveis inclui carnes, café, frutas, sucos, aviões e componentes, além de outros produtos de interesse do consumidor norte-americano. As sobretaxas seriam aplicadas em 2025, conforme o texto, com ressalvas para itens com isenções.
Novo tarifaço
O texto sustenta que o objetivo é proteger o mercado interno e reduzir pressões inflacionárias, mas aponta que as exceções atenuam o impacto da medida. A proposta de tarifa está ancorada na seção 301 da Lei de Comércio de 1974, diferente de ações isoladas do passado.
Conforme o relatório, o governo brasileiro enfrentaria sanções caso as medidas avancem após audiências públicas e procedimentos formais. O prazo para conclusão do processo está previsto para 15 de julho, com etapas protocolares ainda a ocorrer.
Em 2024 o governo dos EUA já havia imposto tarifas de até 50% a produtos brasileiros, mas sem base legal consolidada. Agora, o uso da lei confere maior respaldo institucional às sanções previstas.
Impactos e contexto econômico
Dados indicam que as exportações brasileiras para os EUA recuaram cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2024. Parte da demanda perdida foi redirecionada a outros mercados, como China e países latino-americanos.
Mesmo com a queda, as exportações brasileiras para os EUA em 2025 diminuíram menos, ao redor de 7%. A participação do Brasil nas importações americanas passou de 12% para 10%.
Contexto político
A comunicação entre EUA e Brasil manteve tom cordial, apesar da escalada comercial. A iniciativa ocorre em ano eleitoral e é apresentada como instrumento de política econômica, mas o governo americano mantém alegações de deslealdade que justificariam as sanções.
Entre as acusações, estão medidas sobre censura de bigtechs, desmatamento ambiental e o sistema de pagamentos Pix. Há críticas a regulações de mercado que envolvem o setor financeiro norte-americano, segundo o relatório.
O documento também cita a relação entre Pix e o papel do Brasil em acordos comerciais globais. Analistas ressaltam que o Pix é observado como ponto estratégico para a integração brasileira com novos blocos econômicos, fora do dominatedollar.
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