- XP, em parceria com Atlantiqis Consulting, propõe trocar o CDI pelo IPCA+ como referência principal de portfólios de longo prazo.
- O estudo mostra que o CDI não preserva o poder de compra no longo prazo; o IPCA+ seria mais adequado para renda futura, como planos de saúde e educação.
- Entre 2019 e 2023, o CDI teve retorno nominal próximo de 27%, mas grande parte foi corroída pela inflação; em 2020 e 2021 o retorno real foi negativo.
- Em janelas de até dez anos, o IMAB5 — títulos públicos indexados à inflação — entregou retorno real médio superior ao CDI, com maior ganho em horizontes mais longos.
- A XP planeja treinamentos para assessores, cursos, palestras e, no segundo semestre, adotará o IPCA como default de acompanhamento de carteira, mantendo o CDI para curtíssimo e médio prazo.
O XP propõe substituir o CDI pelo IPCA+ como referência principal dos portfólios de longo prazo. A ideia surge de estudo realizado pela XP em parceria com a Atlantiqis Consulting, que questiona o CDI como benchmark livre de risco no longo prazo.
O estudo analisa a relação entre CDI e inflação, defendendo que o ativo livre de risco deveria ser a inflação medida pelo IPCA. Para o IPCA, a referência seria o Tesouro IPCA+, em vez do CDI, especialmente em planos de previdência e aposentadoria.
O trabalho parte de premissas econômicas de Robert Merton, segundo as quais a valorização de longo prazo deve acompanhar obrigações financeiras futuras. Assim, o IPCA seria o indicativo de renda real necessária para cobrir o custo de vida.
Entre 2019 e 2023, o CDI teve retorno nominal de cerca de 27%, porém grande parte desse ganho foi consumido pela inflação, com retornos reais negativos em 2020 e 2021. Esses resultados aparecem na amostra.
Na janela de 2010 a 2026, o IMAB5, títulos públicos indexados à inflação até cinco anos, apresentou retorno real médio superior ao CDI em várias perspectivas de tempo. O histórico sustenta a comparação.
Em janelas móveis de 10 anos (2010-2026), o CDI apresentou pior retorno real anualizado em relação ao IMAB5, com 1,90% contra 3,97% no IPCA+. O retorno médio também favorece o IPCA+: 5,03% ao ano contra 3,07%.
Ruy Ribeiro, sócio da Atlantiqis, aponta que o CDI envolve incertezas sobre taxas futuras de reinvestimento, elevando o risco para o investidor. A replicação de cenários futuros pode expor o portfólio a variações indesejadas.
A XP defende a adoção do IPCA como referência principal para o portfólio de longo prazo, citando resistência de investidores ao mudar de CDI. A proposta inclui educação financeira para facilitar a transição gradual.
Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Inc, ressalta que, nos últimos 20 anos, o CDI teve retorno médio próximo de IPCA+4%. Esse patamar pode não atender objetivos de longo prazo de alguns clientes.
A XP planeja etapas para implementar a mudança, como cursos para assessores, palestras na Expert e, no segundo semestre, a inclusão do IPCA como default no acompanhamento de carteiras. O relatório de alocação também passará a priorizar o IPCA.
Para viabilizar a análise, a XP pretende realizar planejamento patrimonial personalizado com cada cliente, definindo a referência de desempenho superior ao IPCA com base no patrimônio, no custo de vida e nas metas futuras.
A iniciativa envolve democratizar a visão de longo prazo inventariada por fundos de pensão e family offices. Segundo a XP, cerca de 25% de sua rede já conta com acompanhamento financeiro, e no varejo esse índice supera 60%.
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