- Noventa por cento das instituições financeiras já utilizam ferramentas de IA, mas apenas cinco por cento conseguem mensurar impactos positivos da tecnologia no resultado financeiro.
- O estudo “The AI Value Gap” mostra queda gradual de valor na adoção da IA: 52 por cento mantêm pilotos, 37 por cento levam iniciativas à produção em funções específicas, entre 20 por cento e 25 por cento alcançam capacidades multifuncionais e apenas 15 por cento chegam a transformação corporativa ampla.
- A pesquisa foi baseada em meta-análise de 155 evidências públicas, com verificação de noventa e um vírgula nove por cento; foram usados dados de instituições como o MIT, IDC e a própria Accenture.
- Quatro fatores ajudam a explicar o desalinhamento entre potencial e resultados: complexidade de coordenação, falta de direcionamento, fragmentação de investimentos e desafios de pessoas e incentivos.
- No Brasil, o mercado acompanha a tendência global, com algumas instituições já entre as mais avançadas na adoção de IA, segundo a Accenture.
A maior parte das instituições financeiras ainda enfrenta dificuldades para transformar projetos de IA em resultados concretos. Segundo estudo da Accenture, embora 90% das instituições já utilizem ferramentas de IA, apenas 5% conseguem mensurar impactos positivos no resultado financeiro.
O levantamento, batizado de The AI Value Gap, aponta que há uma perda gradual de valor ao longo da jornada de adoção. Entre os bancos que utilizam IA, 52% mantêm pilotos experimentais, 37% avançam para produção em funções específicas, entre 20% e 25% alcançam capacidades multifuncionais, e apenas 15% atingem uma transformação corporativa ampla.
A pesquisa analisou 155 evidências públicas com verificação de 91,9% e envolveu dados de instituições como MIT, IDC e a própria Accenture. Para mapear informações, a consultoria acionou 20 agentes de IA, com levantamento realizado em um fim de semana. Em seguida houve validação humana das conclusões.
Segundo Rogério Mascarenhas, diretor de estratégia em serviços financeiros da Accenture no Brasil, há uma diferença significativa entre o potencial da IA e os resultados efetivamente capturados. Ele aponta frustração entre clientes por não materializar ganhos da tecnologia, destacando a dicotomia entre impacto potencial e o efetivamente realizado.
O estudo aponta quatro fatores que explicam o descompasso. Primeiro, a complexidade de coordenação aumenta quando há dezenas de iniciativas simultâneas entre equipes, sistemas e governança. Segundo, a falta de direcionamento gera iniciativas próprias com prioridades distintas, dificultando o ganho institucional.
O terceiro fator envolve a alocação de investimentos: 70% do orçamento permanece dedicado à manutenção de sistemas existentes, enquanto apenas 32% dos dados corporativos são usados por ferramentas de IA. O quarto obstáculo traz desafios de pessoas e incentivos, com 44% dos profissionais desconfiados da IA, 33% temendo substituição e 47% se sentindo despreparados.
Para reduzir a distância entre potencial e resultado, a Accenture recomenda métricas mais amplas de retorno da IA, além de investimentos em governança, modernização tecnológica e alinhamento entre áreas. Também é enfatizada a necessidade de corrigir ineficiências organizacionais e promover colaboração entre setores.
No Brasil, Mascarenhas observa acompanhamento da tendência global, com algum atraso em relação aos EUA. Ainda assim, destaca que algumas instituições brasileiras já aparecem entre as mais avançadas na adoção de IA, graças a recursos financeiros robustos e competências tecnológicas destacadas.
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