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CIOs assumem novo papel na era dos agentes de IA

Painel indica que CIOs assumem papel central na transformação, conectando dados, governança e cultura à operação com agentes de IA

Summit AI: painel em evento tratou da mudança de escopo da liderança de tecnologia (SUMMIT IA/Divulgação)
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  • O painel do AI Summit EXAME discute que os CIOs passam de liderança centrada em sistemas para foco em pessoas, estratégia, dados e desenho organizacional.
  • Agentes de IA vão além de chatbots: conectam-se a processos, bases e decisões, criando novas camadas de complexidade.
  • Na Natura, a implementação do Google Workspace estimulou colaboração e uso de IA, com 80% dos colaboradores virando usuários intensivos de IA para resolver problemas operacionais.
  • Desafios de governança aparecem na contratação de serviços de dados com modelos híbridos (agentes + profissionais) e na definição de responsabilidades quando um agente erra.
  • A agenda envolve dois usos de IA: “everyday AI” para eficiência e “game-changing AI” para modelo de negócio; a liderança precisa alinhar comunicação, educação e gestão da mudança com RH.

O AI Summit EXAME, realizado em 2 de junho em São Paulo, debateu o papel dos CIOs na era dos agentes de IA. Painel intitulado O papel dos Chief Information Officers na gestão de pessoas e agentes de IA reuniu Alaine Charchat, Reckitt, Renata Marques, ex-CIO da Natura LatAm, e Luiz Gustavo Pacete, consultor e LinkedIn Top Voice. A discussão tratou da transformação da liderança de tecnologia para além de sistemas, enfatizando pessoas, dados e desenho organizacional.

Para as participantes, a tecnologia é o detalhe; a liderança envolve pessoas. A ideia central é que o CIO apoie áreas de negócio no letramento em dados e IA, explicando fundamentos como arquitetura, governança, qualidade de dados e modelos que sustentem escala. Aline Charchat destacou que o avanço da IA coloca o CIO no centro da transformação.

Gente e agente

O debate diferenciou agentes de IA, chatbots e ferramentas conversacionais. Pacete apontou que agentes não devem ser vistos apenas como um ChatGPT interno, pois conectam-se a processos, bases, sistemas e decisões, gerando novas camadas de complexidade. Renata relatou que, na Natura, a adoção do Google Workspace fomentou cultura de colaboração e uso de IA. Cerca de 80% dos colaboradores tornaram-se usuários intensivos de IA.

O painel discutiu o desenho do trabalho ao incorporar agentes. Em vez de barreamentação por departamentos, há foco em missões, fluxos e competências, combinando capital humano e automação. A ideia é avaliar quando atividades devem ficar a cargo de pessoas ou de agentes, especialmente em funções abaixo de coordenador.

Governança e responsabilidade

Alaine citou um caso de contratação de serviços de dados com modelos diferentes: squads humanos ou squads híbridos com agentes. A opção híbrida tende a ter menor custo, sugerindo que esse arranjo ganhará relevância. O desafio reside em supervisionar, direcionar e governar esses agentes.

A discussão também tratou de quem responde quando um agente erra. Questão envolve desenvolvedores, contratantes, usuários e o responsável pelo processo, definida como fronteira entre governança, ética e responsabilidade. O tema ganhou peso ao tratar de mudanças organizacionais impulsionadas pela IA.

Cortes, mudanças e futuro

Renata mencionou o receio das equipes diante da velocidade da IA, mais rápida que a evolução humana. A saída é ampliar a comunicação e percursos de aprendizado para reduzir inseguranças e alinhar expectativas com o futuro do trabalho. A comunicação transparente é apontada como ferramenta para fortalecer a cultura de transformação.

Alaine ressaltou que a educação precisa acompanhar a comunicação: IA e agentes podem aumentar a eficiência e liberar pessoas para atividades estratégicas, desde que haja clareza sobre o problema de negócio e o papel de cada profissional. Em cenários de desligamento, a transparência sobre contexto de mercado e resultados é essencial.

O painel distinguiu ainda usos da IA: melhoria de tarefas existentes (everyday AI) e redesenho de processos (game-changing AI). O segundo caminho envolve riscos e requer mudanças no modelo de negócio, o que pode enfrentar resistência. Nesse contexto, o RH surge como área-chave para apoiar a transição, com tecnologia e pessoas aprendendo juntas.

Ao final, ficou claro que agentes de IA ampliam a agenda dos CIOs, impondo discussões sobre cultura, governança, responsabilidades e aprendizado. A liderança de tecnologia passa a atuar como ponte entre inovação e execução, organizando o que as máquinas podem fazer e o que as pessoas devem decidir.

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