- A popularidade dos diamantes de laboratório fez o preço dos diamantes naturais cair, com queda acumulada ao redor de quarenta por cento nos últimos quatro anos.
- A mina de diamantes Koidu Holdings, a maior da Serra Leoa, encerrou as atividades no ano passado, causando a perda de mil empregos.
- Em Kono, houve aumento de garimpo informal, com trabalhadores buscando fragmentos em minas pequenas, sob chuva de calor e lama.
- Diamantes fabricados em laboratório são quimicamente idênticos aos naturais e podem custar até setenta por cento menos, impulsionando a competitividade.
- A De Beers lançou o projeto Gemfair para oferecer equipamentos, treinamento e preços mais transparentes a garimpeiros locais, buscando manter a origem dos diamantes nos relatos de venda.
A queda no preço dos diamantes naturais, em parte causada pela popularidade crescente dos diamantes cultivados em laboratório, levou ao fechamento da maior mina de Sierra Leoa. A Koidu Holdings encerrou operações, com a perda de cerca de 1.000 empregos.
Na região de Kono, trabalhadores, muitos sem camisa, removem lama e peneiram cascalho em busca de sinais de pedras. O foreman Daniel explica o processo: lavam o material para identificar diamantes ou pedras brilhantes.
A empresa justifica o encerramento pelo custo do conflito trabalhista e por questões de segurança. Fontes internas mencionam ainda a fraqueza do mercado global como fator relevante.
Entre 4 anos, o preço de diamantes naturais já caiu cerca de 40%, impulsionado pela entrada de diamantes de laboratório no mercado. Esses itens são quimicamente idênticos aos naturais.
Os diamantes cultivados em laboratório são produzidos principalmente na Índia e na China, com tecnologias HPHT ou CVD, e custam bem menos que os naturais.
O governador de Kono, Augustine Shekho, afirma que a queda de valores prejudicou mineradores locais e a atividade econômica regional, reduzindo ganhos e investimentos.
A indústria de diamantes tem histórico de conflitos na região desde os anos 1930, com a guerra civil de Sierra Leoa associada a extração de pedras. Muitas vidas foram ceifadas nesse período.
Em 2003, o Kimberley Process foi criado para impedir o tráfico de diamantes de conflito, mas o setor ainda enfrenta reputação abalada. Dados locais apontam pobreza contínua na região.
A De Beers lançou o projeto Gemfair em Sierra Leoa, oferecendo capacitação e transparência nos preços, para aproximar os mineradores do mercado formal e melhorar a rastreabilidade.
Especialistas afirmam que diamantes cultivados em laboratório devem continuar crescendo, com vantagens econômicas e ambientais apontadas por alguns executivos. Outros destacam elevado consumo de energia na produção.
Segundo análise de mercado, o valor global de diamantes cultivados pode chegar a cifras superiores a US$ 90 bilhões até 2034, ampliando a participação no segmento de joias.
Na prática local, Daniel segue minerando, ainda que as chances de encontrar diamante sejam baixas. Ele afirma que, neste momento, não houve retorno financeiro significativo.
Em Sierra Leoa, a mineração de diamantes permanece como uma atividade importante, ainda que sob pressão de mudanças no mercado global e de iniciativas para formalização e rastreabilidade.
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