- O governo do Distrito Federal discute tomar até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos para recompor o BRB, com assinatura prevista ainda sem data.
- Em cenários calculados pela oposição, o empréstimo pode custar mais de R$ 1 bilhão por ano apenas em juros, dependendo da modelagem.
- Cenário mais pessimista aponta juros de IPCA mais 4,5% ao ano, com prazo de 15 anos, dando muito perto de R$ 23 bilhões no total (R$ 17 bilhões em juros).
- Cenário com carência de dois anos e juros decrescentes ao longo do tempo reduziria o custo total para cerca de R$ 13,4 bilhões, ainda assim com juros em torno de R$ 6,9 bilhões.
- Outro estudo aponta juros de 1,4% ao mês (aprox. 18,16% ao ano) e 180 parcelas, elevando o custo total a quase R$ 18 bilhões, com pagamento mensal de cerca de R$ 99 milhões.
O governo do Distrito Federal pretende contratar um empréstimo de até 6,6 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para recompor o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). O objetivo é financeiro: melhorar a situação do BRB, pressionando, porém, as contas públicas do DF. A taxa de juros e o prazo de quitação ainda não foram divulgados oficialmente.
A proposta chegou à Câmara Legislativa na terça-feira, 2, em forma de projeto de chancela do acordo com a União. A base governista ainda não criou o quórum mínimo para votação, e a tramitação deve retornar na próxima semana. A oposição aponta custos elevados e exige mais detalhes sobre a operação.
A TV Globo buscou a Secretaria de Economia do DF para confirmar estimativas, sem conseguir retorno até o fechamento desta peça. O acordo, segundo o texto, envolve o empréstimo de até 6,5 bilhões reais, com a expectativa de viabilizar o BRB e equilibrar o patrimônio público.
Cenário 1: mais de R$ 1 bilhão por ano em juros
O cenário mais oneroso, elaborado pelo gabinete do deputado Fábio Félix, usa dados que teriam vindo do secretário de Economia Valdivino de Oliveira. A taxa seria IPCA mais 4,5% ao ano, com prazo de 15 anos. Com isso, o custo total chegaria a 23 bilhões de reais, sendo 17 bilhões apenas em juros. O valor dos juros seria o dobro do montante solicitado.
Cenário 2: juros decrescentes ao longo dos anos
Nesse modelo, há duas mudanças: carência de dois anos para iniciar pagamentos; juros sobre saldo devedor, caindo ao longo do tempo; amortização maior a cada ano. Com esse ajuste, o custo total fica em 13,4 bilhões de reais, mas os juros somariam 6,91 bilhões em 15 anos.
Cenário 3: parcelas mensais elevadas, alto total de juros
O gabinete do deputado Gabriel Magno (PT) estimou juros de 1,4% ao mês, ou 18,16% ao ano, em 180 parcelas (15 anos). O custo total ficaria em 17,84 bilhões. Seriam cerca de 99 milhões de reais mensais, o que reduziria investimentos e custeio público.
O conjunto de cenários evidencia a falta de clareza sobre a operação. Parlamentares cobram estruturação do empréstimo e dados oficiais para evitar impactos no equilíbrio financeiro do DF. Em meio às divergências, o tema permanece em tramitação.
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