- Espanha apresenta estratégia para dominar a cadeia de IA, incluindo chips, nuvem, supercomputadores, fábricas de IA e um modelo público de linguagem com recursos da União Europeia, anunciada no South Summit Madri 2026.
- O MareNostrum 5, no Barcelona Supercomputing Center, é central para IA e pesquisas, com até 314 petaflops de capacidade e mais de 4.500 GPUs NVIDIA H100.
- O governo mira duas fábricas de IA na Europa (Barcelona e Galícia), com investimento total estimado entre 600 milhões e 800 milhões de euros, em parceria público-privada.
- A iniciativa inclui semicondutores, fotônica e rede nacional de computação, além de apoiar o ALIA, modelo de linguagem aberto desenvolvido pela Espanha.
- Aspectos regulatórios e de investimento público, por meio da SETT e da ENISA, visam criar confiança, capacitar profissionais e manter o Estado como cliente e investidor na IA.
MADRI — No South Summit Madri 2026, o governo espanhol detalhou uma estratégia para dominar toda a cadeia da IA, desde semicondutores até supercomputação, passando por fábricas de IA e um modelo público de linguagem. A ideia é reduzir dependência externa e ampliar infraestrutura e capacitação.
A aposta envolve recursos da UE, via Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência, com foco em infraestrutura digital, formação e apoio a empresas de tecnologia. O objetivo é tornar a Espanha referência em IA confiável e aberta.
O ministro Óscar López, da Transformação Digital, destacou que a meta é investir em confiabilidade, não apenas velocidade ou custo. Em Madri, abriu-se espaço para discutir candidaturas a gigafábricas europeias de IA e a construção de infraestrutura própria.
O núcleo da estratégia: supercomputação e IA aberta
Barcelona concentra boa parte da ambição: o MareNostrum 5, com até 314 petaflops, figura entre os mais potentes do mundo e sustenta pesquisas e o ALIA, a família de modelos de linguagem abertos espanhóis.
O MareNostrum 5 abriga mais de 4.500 GPUs NVIDIA H100 para IA e ciência, incluindo aplicações de clima, genômica e farmacologia. O governo vê a máquina como base para IA pública e privada.
Além disso, o centro já integra módulos quânticos europeus, ampliando a capacidade de processamento para projetos futuros. López afirmou que a Espanha pode ter uma das primeiras gigafábricas de IA na Europa.
Fábricas de IA e rede de computação
A Espanha já aprovou duas AI Factories: uma em Barcelona, ligada ao BSC, e outra ao CESGA, na Galícia. Elas fornecem acesso a capacidade computacional, dados e suporte técnico a empresas e universidades.
O CESGA, em Santiago de Compostela, destaca-se pela computação quântica. Juntas, fortalecem a Red Española de Supercomputación, com 14 nós e investimentos de mais de 63 milhões de euros.
A rede pública facilita o uso de processamento avançado sem que cada instituição precise construir sua própria estrutura. A estratégia aponta para maior autonomia tecnológica.
Chips, startups e investimento público
No eixo dos semicondutores, o governo destinou mais de 820 milhões de euros para fortalecer o ecossistema. Empresas como OpenChip e Semidynamics aparecem como protagonistas, ambas em Barcelona, com foco em arquitetura RISC-V.
OpenChip combina chips modulares com eficiência energética; Semidynamics desenvolve processadores de alto desempenho para IA. O governo também mira fotônica para chips avançados e busca instalar uma fábrica de fotônica na Espanha.
O modelo público ALIA e o papel estatal
ALIA é a família de modelos de linguagem abertos desenvolvidos com apoio do governo, já em uso público para serviços oficiais. López disse que o modelo visa controle de dados, idioma e aplicações públicas, além de ampliar o acesso a pequenas empresas.
O Estado atua como investidor ativo, via SETT, em setores estratégicos como semicondutores, IA e computação quântica. Em Madri, foram anunciadas novas linhas de apoio para pesquisa e testes em tecnologias de uso dual, totalizando 160 milhões de euros.
Governo como cliente e regulador
Mais de 400 casos de uso de IA já foram identificados na administração pública, que também opera uma plataforma soberana de IA para compartilhar infraestrutura e modelos. A regulação acompanha o investimento, com a AESIA como nova autoridade europeia.
A ideia é unificar regras, reduzir custos e promover confiança no uso de IA entre cidadãos, empresas e órgãos públicos. Sandboxes regulatórios devem acelerar testes com supervisão pública.
Educação e adoção da IA
A estratégia prioriza formação: 44,2% da população economicamente ativa já utiliza IA generativa. Espanha figura entre os líderes globais em formação técnica, com 20 cátedras universitárias em IA e o programa Generación IA, de 234 milhões de euros para atrair pesquisadores internacionais.
A formação continua sendo eixo central para que infraestrutura, modelos e chips sejam efetivamente aplicados no dia a dia empresarial e público.
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