- A OCDE alerta para um cenário de “disrupção prolongada” se o conflito no Irã se arrastar até 2027, sem acordo entre EUA e Irã.
- O crescimento global do PIB pode ficar em 2,1% neste ano, frente a 3,4% em 2025, com algumas economias entrando em recession ou próximas dela, especialmente emergentes.
- Escassez de energia seria acompanhada de racionamento para empresas, além de alta de preços de insumos industriais como fertilizantes, enxofre e hélio.
- Os choques energéticos elevam custos para centros de dados e hardware utilizado em IA, potencialmente freando investimentos em IA e o crescimento de economias que dependem disso.
- Em cenário alternativo, com avanço rumo a um acordo de paz, o crescimento global ficaria em 2,8% este ano e 3,1% no próximo, ainda com algumas faltas de energia, sobretudo na Ásia.
A OECD alerta que a continuidade do conflito no Oriente Médio até 2027 pode provocar uma onda de recessões globais. O organismo projeta um cenário de “disrupção prolongada” com queda do crescimento mundial e aumento de volatilidade nos mercados de energia.
Segundo o Economista-Chefe da OECD, Stefano Scarpetta, o cenário base mostra queda do PIB global para 2,1% neste ano, ante 3,4% em 2025, com economias emergentes entre as mais impactadas pela combinação de choques energéticos e inflação.
O relatório aponta que déficits de energia e pressões sobre fertilizantes elevam custos de produção. A energia mais cara pode levar a racionamento para negócios e atrasos na cadeia produtiva em várias regiões.
Os impactos para políticas públicas incluem o risco de recessão caso bancos conduzam altas de juros de forma acelerada para conter a inflação derivada de energia e alimentos mais caros.
Cenário alternativo
Caso haja progresso rumo a um acordo de paz, as projeções mudam. A OECD antecipa que, com queda nos preços do petróleo, haveria menor disrupção energética, mantendo o crescimento global em cerca de 2,8%.
Mesmo no cenário menos adverso, a OECD ressalta desafios para forças de trabalho e investimentos. O custo de empréstimos para empresas tende a subir pela piora da confiança do mercado.
A instituição destaca que o endividamento corporativo nos países do G20 chegou a 90 trilhões de dólares até o terceiro trimestre de 2025, com grande parte a vencer nos próximos três anos.
O relatório também alerta para riscos no setor de crédito privado, que ganhou importância desde a crise de 2008 e pode gerar efeitos colaterais em caso de contração financeira.
A OECD defende uma transição energética como parte da mitigação de choques futuros. Reduzir dependência de combustíveis fósseis e ampliar eficiência energética são prioridades, sobretudo se a disrupção permanecer.
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