- O plantio da nova safra de trigo brasileiro atingiu 41,1% da área prevista, com desenvolvimento satisfatório em Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, em meio a incertezas climáticas por El Niño.
- Custos de produção elevados e menor intenção de plantio em estados-chave aumentam a expectativa de maior necessidade de importações para atender a demanda interna.
- Observa-se tendência de redução de investimento tecnológico, com uso maior de sementes próprias e menor procura por sementes certificadas, elevando o risco de queda na qualidade do trigo nacional.
- Projeções para 2026/27 apontam produção entre 6,1 milhões e 6,7 milhões de toneladas e importações entre 6,75 milhões e 7,2 milhões de toneladas, diante de demanda interna estimada em cerca de 13 milhões.
- A Argentina permanece principal fornecedora, mas problemas de qualidade na safra 2025 e custos logísticos elevam a busca por origens alternativas, com frete alto e preços em nível competitivo.
O plantio da nova safra de trigo no Brasil atingiu 41,1% da área estimada, segundo levantamento da Conab. Produtores e agentes da cadeia acompanham a evolução em meio a custos elevados, redução de área e incertezas climáticas associadas ao El Niño.
Lavouras já implantadas apresentam desenvolvimento satisfatório em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. No Paraná, temperaturas mais baixas e chuvas recentes ajudam o estabelecimento das áreas semeadas; no Rio Grande do Sul, o plantio avança no ritmo inicial com boas condições para as lavouras emergidas.
A cautela domina o cenário. Nelson Montagna, gerente de suprimento de trigo do Moinho Anaconda, afirma que o trigo é sensível ao clima e que um El Niño forte aumenta o risco no hemisfério sul. O setor também registra menor intenção de plantio em estados importantes, com destaque para o Paraná.
A Farsul observa tendência de substituição parcial do trigo por culturas de inverno, como a canola, além de adoção de sistemas de produção alternativos. Sinais indicam menor uso de sementes certificadas e maior utilização de sementes próprias, aliado a redução de investimento tecnológico.
Montagna aponta que o aumento de custos de produção pressiona a rentabilidade, citando fertilizantes, defensivos e preço da commodity. A perspectiva é de que produtores façam menos investimentos na safra diante do cenário de custo alto e demanda amena.
Diante disso, cresce a possibilidade de queda na qualidade do trigo nacional e maior dependência de importações, com foco em trigo de maior teor de proteína para panificação e massas. As projeções para 2026/27 apontam produção menor e demanda interna de cerca de 13 milhões de toneladas.
Estima-se que o Brasil produza entre 6,1 e 6,7 milhões de toneladas, com importações entre 6,75 e 7,2 milhões de toneladas, dependendo da safra e das margens de produtores. A Argentina permanece como fornecedora, ainda que problemas de qualidade observados na safra 2025 impactem o mix de origens.
Mercado interno enfrenta margens apertadas, com moinhos relatando dificuldade para repassar custos ao consumidor. O câmbio de preços é influenciado pela pressão de importações e pela competição entre produtores nacionais.
A janela comercial também é desfavorável ao Brasil, segundo Montagna. O país colhe quando a maior parte do trigo mundial já foi plantada, gerando pressão de preços para baixo por todo o globo, além de atrasos regionais no Rio Grande do Sul que coincidem com a entrada da safra argentina.
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